O Estado de Santa Catarina registrou, na manhã de segunda-feira (21), um fenômeno natural raro: um tsunami meteorológico. De acordo com a Defesa Civil do estado, por volta das 6 da manhã, o mar avançou de forma súbita nas áreas costeiras de Jaguaruna, Laguna e Imbituba, o que provocou alagamentos e surpreendeu os moradores dos municípios.
Há relatos de estragos consideráveis até agora, como vias com acúmulo de água e areia, danos em moradias e pessoas ilhadas. Em Laguna, na Praia do Cardoso, o avanço do mar atingiu o restaurante Brisa do Mar, enquanto pescadores da região relataram que a força da água arrastou redes de pesca e equipamentos. Não há registro de vítimas fatais até o momento.
O fenômeno, que também pode ser chamado de meteotsunami, ocorreu em meio a um clima instável que provocou temporais e ventos de mais de 100km/h no sul do Brasil. Em nota, o órgão de defesa diz que contabiliza 60 municípios com registros de ocorrências provocadas pelas chuvas intensas e ventos fortes que atingem o estado.
Diferentemente dos tsunamis, que tem origem sísmica, os meteotsunami estão atrelados a algum sistema meteorológico, como linhas de instabilidade – faixas longas de tempestades que se movem rapidamente. Mudanças como essas estão associadas a alterações bruscas na pressão atmosférica, que, junto a ventos fortes, avançam rapidamente sobre o mar e formam uma grande onda que chega até a praia.
Os meteotsunamis têm efeitos restritos a áreas específicas, pois não possuem a energia necessária para gerar tsunamis sísmicos significativos. Ao contrário de tsunami provocados por eventos geológicos, as mudanças atmosféricas bruscas normalmente interagem com o oceano durante um período de tempo limitado (de alguns minutos a várias horas). Tudo depende da velocidade e da intensidade da frente da tempestade.
Por depender de mudanças bruscas, inclusive, é difícil prever quando meteotsnunamis acontecem. De acordo com o Serviço Nacional Oceânico dos EUA, somente agora cientistas estão começando a compreender melhor o fenômeno, e, muitas vezes, suas características são confundidas com uma ressaca marítima causada pela mudança na pressão atmosférica.
Sabemos, porém, com certeza que eles foram registrados poucas vezes no Brasil, sendo que cinco deles aconteceram recentemente em Santa Catarina: em 2016, em Araranguá; em 2019 em Palhoça; em 2023 em Laguna; e em 2024 em Jaguaruna e com impactos também na Argentina.
Também há registros de meteotsnunamis em quase todas as partes do globo, especialmente aquelas em costas oceânicas. A costa leste dos EUA, o Japão, a Austrália e a região do Mar Mediterrâneo são apenas alguns dos exemplos que podemos citar.
Para os próximos dias em Santa Catarina, a Defesa Civil alerta que, com a passagem de uma frente fria, o tempo continuará instável em todo o estado, com previsões de temporais com chuva intensa, raios, rajadas de vento e queda de granizo. O risco é considerado muito alto para a destelhamentos, danos na rede elétrica, queda de galhos e árvores, alagamentos, enxurradas e deslizamentos nas áreas mais vulneráveis.
