Esse tipo de brincadeira não fica só entre os felinos: é comum à muitos mamíferos e é essencial para o desenvolvimento social, motor e para a criação de vínculos. As lutinhas costumam ser mais frequentes na infância, quando os animais estão aprendendo e têm mais energia para gastar, além de estarem criando suas primeiras relações.
“Quando a gente observa dois gatos brincando de lutinha, existe ali uma espécie de treinamento e de teatro que reproduz comportamentos que são importantes para a sobrevivência”, explica Francisco Cabral, doutor em psicologia comportamental e especialista em etologia (estudo dos comportamentos dos animais). “Há um aprendizado através da simulação de movimentos e comportamentos de ataque, de mordida, de se esconder.”
Os movimentos das lutinhas geralmente são parecidos com os da vida cotidiana, como de caça e confronto com outros animais.
Para separar uma lutinha amigável – o famoso “cinco minutos sem perder a amizade” – de uma briga de verdade, é preciso observar com atenção o contexto e a linguagem corporal dos animais.
Em brigas, os gatos mordem com força, arrancam pelos, ficam com as orelhas para trás, podem se arrepiar para parecerem maiores e fazer sons fora do comum. Em geral, antes da briga há uma troca de olhares tensa, com o rabo para baixo e a coluna curva.
“Já na brincadeira há uma troca de papéis: um realiza um movimento e outro responde, e vai fluindo. Numa briga pode ser que tenha um dominante, que domina mais os movimentos”, acrescenta Cabral.
A dinâmica das lutinhas felinas pode ser muito familiar para quem cresceu com irmãos – para os humanos, ficam faltando as garras retráteis e as sete vidas.
Pergunta de Tuzz, São Paulo (SP).
