Protagonistas de filmes como Tá Dando Onda e Os Pinguins do Papai, os pinguins são conhecidos pela sua forma caricata de andar e pela plumagem que lembra um smoking. Outra curiosidade sobre esses animais é que, até 2023, acreditava-se que existiam apenas 18 espécies espalhadas pelo mundo.
Uma nova pesquisa, publicada em abril no periódico científico Communications Biology, mostrou que não é bem assim: identificaram novas espécies de pinguins pela primeira vez em mais de cem anos. E elas eram estudadas pela ciência este tempo todo.
O estudo constatou que os pinguins-gentoo, que habitam diferentes ilhas do hemisfério sul e a península antártica, são quatro espécies diferentes, e não apenas uma como se pensava anteriormente. Uma dessas espécies sequer havia sido nomeada pela ciência.
Um time internacional de especialistas em pinguins se juntou para analisar geneticamente os pinguins-gentoo. Eles realizaram o sequenciamento genético de 64 pinguins espalhados por dez locais diferentes. Com isso, se deram conta de que as três subespécies já conhecidas dos gentoo eram, na verdade, espécies diferentes, com linhagens evolutivas distintas.
Primeiro, há o pinguim-gentoo-do-leste (Pygoscelis taeniata), que vive nas ilhas Crozet, Marion e Macquarie. Ele possui adaptações genéticas relacionadas à eficiência energética e ao metabolismo, por viver em um mar com escassez de nutrientes.
Já o pinguim-gentoo-do-norte (Pygoscelis papua), das ilhas Malvinas e Martillo, possui adaptações para procurar e consumir alimento na água. O pinguim-gentoo-do-sul (Pygoscelis ellsworthi), por fim, vive na Antártica e apresenta mais genes relacionados ao armazenamento de gordura e à geração de calor, com adaptações às temperaturas polares.
Analisando os genomas, os pesquisadores perceberam uma quarta linhagem evolutiva entre as amostras, pertencente a uma espécie que ainda não havia sido documentada pela ciência. Batizada de gentoo-do-sudeste (Pygoscelis kerguelensis), ela vive nas Ilhas Kerguelen, território isolado no Oceano Índico. A nova espécie é muito semelhante aos outros pinguins-gentoo, com diferenças de tamanho e de voz quase imperceptíveis para o público não especializado. As maiores diferenças só aparecem, de fato, na genética.
Todo esse tempo, eles eram estudados pela ciência, que coletou a primeira amostra da espécie em 1897.

Para os cientistas, a dieta dos pinguins-gentoo foi um fator fundamental para esses processos evolutivos. Eles não são nada seletivos e comem qualquer alimento que conseguem capturar na água. Por isso, essas aves não costumam ir para longe do local de suas colônias. Gerações habitam a mesma região há anos, o que é ainda mais propício para adaptações.
Apesar de recém-descobertas, essas espécies já estão em risco devido ao aquecimento global, que deve afetar fortemente três delas. A exceção é o Pygoscelis ellsworthi, por viver na Antártica. As outras terão seu habitat natural fortemente afetado até 2050. Por isso, os pesquisadores defendem medidas de conservação.
“As projeções futuras indicam perdas severas de habitat para três linhagens. Propomos uma revisão taxonômica reconhecendo quatro espécies distintas de pinguins-gentoo, incluindo Pygoscelis kerguelensis, com importantes implicações para a conservação”, escrevem os autores em trecho do estudo.
