Nas eleições de 2026, o Instituto Questão de Ciência (IQC) se uniu com a Super e com a VEJA SAÚDE para avaliar as propostas dos candidatos à presidência em ciência, tecnologia e saúde. As reportagens serão publicadas até 4 de outubro, o dia do pleito, nos sites das duas revistas. Acompanhe aqui e nas redes sociais: @iqciencia, @revistasuper e @veja_saude
O mundo todo vive uma corrida frenética para explorar recursos valiosos, e parte desse tesouro está enterrado no Brasil. São os chamados “minerais estratégicos” ou “críticos”, recursos de disponibilidade limitada que são essenciais para várias indústrias.
Não há uma única definição para o termo, mas o grupo costuma incluir materiais que são essenciais para tecnologias avançadas, para a transição energética e para a economia digital como um todo. Elementos como níquel, cobalto, lítio e manganês, por exemplo, são cruciais para a fabricação de baterias.
Já “terras raras” é um apelido para um subgrupo desses elementos cruciais. Trata-se de 17 metais de nomes difíceis – como praseodímio, neodímio e térbio – cuja principal aplicação é na fabricação de superímãs resistentes à desmagnetização. Esses ímãs, por sua vez, são usados em drones, turbinas eólicas, carros elétricos e outras tecnologias.
Apesar do nome, esses elementos nem são tão raros assim – o cério, por exemplo, é o 25º elemento mais comum da crosta terrestre, na frente até do cobre –, mas são encontrados misturados (uns com os outros e também com impurezas) e em baixas concentrações. A separação deles é o grande desafio da exploração. (Leia mais nesta reportagem da Super.)
Nos últimos anos, a exploração dos minerais críticos e das terras raras se tornou uma espécie de campo de batalha geopolítico. Grandes potências, principalmente EUA e China, querem assegurar controle para suas respectivas indústrias de tecnologia, defesa e energia. Para isso, porém, precisam se voltar para outros países, costurando acordos de exploração nos locais que detêm grandes reservas minerais. É nesse contexto que o Brasil se destaca como um personagem importante.
Nosso país, por exemplo, é o maior produtor de nióbio, um elemento utilizado (em pequenas quantidades) em foguetes, carros, pontes, aviões e basicamente qualquer coisa que seja tecnológica ou feita de aço. 98% das reservas conhecidas dele estão por aqui.
No quesito terras raras, temos a segunda maior reserva dos elementos, com cerca de um quinto do total mundial, atrás apenas da China (que detém 48%). A exploração, no entanto, é minúscula: atualmente, só uma empresa extrai comercialmente os minerais no Brasil: a Serra Verde, que opera em Goiás. Em setembro, ela foi comprada pela mineradora americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
Além disso, o Brasil não separa as terras raras nem produz superímãs em grande escala – essa cadeia é dominada, sobretudo, pela China, que concentra mais de 90% do refino. O mercado atual se resume à venda de matéria-prima bruta para fora, sem produção de produtos de alto valor agregado ou desenvolvimento de tecnologias, e mesmo isso é limitado.
Justamente por isso, a exploração dos minerais estratégicos é elencada como uma grande oportunidade política para o Brasil, tanto para impulsionar a economia e desenvolver a ciência e a indústria nacional quanto para defender a soberania do país e reforçar sua importância no cenário geopolítico internacional.
Não à toa, o assunto está sempre pipocando no noticiário e foi adotado em discursos políticos diversos. Mas o que os candidatos à presidência de 2026 de fato propõem para esse tema?
A Superinteressante analisou os planos de governo de 12 presidenciáveis e, com a ajuda de uma IA, selecionou os trechos que abordam tópicos relacionados ao tema “minerais estratégicos”.
Depois, para avaliar os planos de governo, a Superinteressante ouviu três especialistas:
Nilson Francisquini Botelho, professor titular do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília; Giorgio Romano Schutte, professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC); e Edna Aparecida da Silva, pós-doutoranda no Instituto de Relações Internacionais IREL/UnB e pesquisadora do GT Geopolítica e Economia Política Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos INCT-INEU/OPEB.
Os especialistas receberam as propostas dos planos de governo sem a identificação dos presidenciáveis. O documento dividiu os textos como “Candidato 1”, “Candidato 2” e assim por diante. Dessa forma, os entrevistados não sabiam a quem pertencia cada proposta.
Esta reportagem faz parte do projeto Ciência nas Eleições, uma iniciativa do Instituto Questão de Ciência (IQC) em parceria com as revistas VEJA SAÚDE e Superinteressante para analisar as propostas dos candidatos à presidência nas áreas de ciência, tecnologia e saúde. Confira aqui as reportagens da Superinteressante e aqui as de VEJA SAÚDE.
Além dos resumos abaixo, você pode ler as propostas dos candidatos neste outro texto.
1 – Rui Costa Pimenta (PCO)
O candidato propõe o cancelamento de todas as privatizações realizadas, citando nominalmente a mineradora Vale, e a nacionalização e estatização, sem indenização, de todas as reservas minerais. Também propõe a criação de uma empresa estatal, comandada pelos trabalhadores, para controlar a exploração de terras raras, “para garantir o uso dessas riquezas em favor do povo”.
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Para Botelho, as propostas são “extremamente ideológicas e genéricas” e demonstram “pouco conhecimento das reais questões envolvidas no aproveitamento dos recursos minerais estratégicos”.
Silva destaca que o candidato propõe uma “ruptura mais abrangente”, mas sem um desenho institucional e econômico para que ela seja implementada. Além disso, ignora mecanismos de licenciamento, proteção ambiental e gestão dos impactos da exploração.
Em relação ao cancelamento das privatizações, Schutte destaca que o movimento criaria uma onda de questionamentos jurídicos. “Uma proposta como essa acaba, na verdade, dificultando até mesmo propostas voltadas a um maior controle social sobre setores estratégicos da economia”, diz.
Além disso, lembra que as reservas minerais já são do Estado, segundo a Constituição. A proposta do candidato, então, seria anular todas as concessões conferidas para empresas privadas fazerem a exploração. Mas não há, atualmente, uma empresa estatal para realizar esse trabalho no lugar.
Embora a proposta de se criar uma estatal seja coerente com o resto do plano, ela parece simplista demais. “O Brasil não dispõe de tecnologia e capital suficientes para embarcar nesse projeto e, portanto, precisa de uma política de médio prazo, com parceiros nacionais e internacionais”, diz Schutte.
2 – Edmilson Costa (PCB)
O candidato faz apenas uma breve menção ao tema, propondo um “monopólio estatal e soberano das terras raras e minerais críticos”.
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A proposta, na visão dos entrevistados, é simplista e com pouca factibilidade. Além disso, a exploração estatal dos recursos “precisaria de maioria no Congresso Nacional e envolve muitas complicações, porque exige grandes investimentos antes de gerar qualquer lucro”, explica Schutte.
3 – Ronaldo Caiado (PSD)
O plano de governo do candidato é um dos mais detalhados no assunto e inclui, além das propostas, um resumo de contextualização do cenário global de minerais críticos.
Ele propõe a construção de uma cadeia produtiva vertical, em que as várias etapas da produção são feitas no Brasil, e não apenas a extração e a venda de matéria-prima. Não rejeita o investimento estrangeiro, mas condiciona-o à transferência de tecnologia, pesquisa conjunta e capacitação para os brasileiros. Para balizar o projeto, propõe a criação de uma estratégia nacional que integre diferentes ministérios, órgãos públicos, entidades independentes e setor privado.
Caiado também fala em fortalecer a Agência Nacional de Mineração, autarquia reguladora do setor, e em ampliar os levantamentos geológicos e científicos do território brasileiro para levantar mais dados. Cita, além disso, o combate ao garimpo ilegal, a fiscalização de barragens e rejeitos para evitar acidentes, e a criação de centros de pesquisa e laboratórios que estudam o tema, além de reforçar os que já existem.
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Os entrevistados concordam que este é um dos planos mais detalhados e completos, com grande foco na verticalização da cadeia e no desenvolvimento tecnológico, uma questão crucial.
Para Botelho, os principais destaques positivos são o foco em formação de recursos humanos e centros de pesquisa, a necessidade de aumentar o conhecimento geológico do território nacional com levantamentos e mais dados e a priorização de áreas estratégicas.
Silva nota que o plano detalha bastante a questão produtiva, mas “não apresenta, com o mesmo grau de detalhamento, instrumentos específicos para enfrentar os impactos ambientais da expansão da mineração”.
Na mesma linha, Schutte destaca que o candidato não lista o Ministério do Meio Ambiente entre os muitos órgãos citados como articuladores da estratégia nacional.
O trecho que fala sobre a presença estatal e o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração, segundo o pesquisador, é insuficiente para as terras raras. “É questionável que a ANM, sozinha, dê conta do recado. É necessária uma participação estatal mais direta, não só na outorga de títulos minerários e na concessão de lavra, mas também no estilo do papel desempenhado pela PPSA [Pré-Sal Petróleo, uma empresa pública] na exploração do pré-sal”, diz.
“Em todos os principais países consumidores, e na grande parte dos países produtores, há uma participação crescente do Estado para garantir, respectivamente, o acesso e o aproveitamento desses recursos. Por exemplo: quem tomou conta da única mina de terras raras em operação no Brasil, a Serra Verde, foi uma parceria hoje liderada pelo Estado dos EUA, com forte participação do Ministério da Guerra.”
Além disso, o trecho que discute a revisão do processo de licenciamento é, para Giorgio, tímido, apesar de se tratar de uma necessidade. Segundo o especialista, a necessidade de agilizar o processo deve vir de melhorias nele, e, sem mais detalhes, pode ser “facilmente confundida com abrir mão da defesa dos direitos ambientais e territoriais”.
4 – Augusto Cury (Avante)
As propostas do candidato são semelhantes às de Caiado, focando em superar o modelo de exportações de matéria-prima para atingir a industrialização e a produção de bens de alto valor agregado.
Também fala em mapear as reservas brasileiras, criando um Atlas permanente e sempre atualizado, além de construir um mapa global da demanda por esses minerais em diferentes áreas, para direcionar melhor as políticas públicas.
Cita também integração entre governo, universidades e iniciativa privada; parcerias internacionais para transferência de tecnologia e formação de pesquisadores e profissionais qualificados no Brasil; incentivos, inclusive fiscais, para o refino e separação desses minerais no Brasil, além da produção de itens com maior valor agregado; entre outras medidas.
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Os entrevistados concordam que o plano é, assim como o anterior, detalhado e consistente, apesar de um pouco mais genérico. O foco também é na verticalização da cadeia, desenvolvimento de cadeia produtiva, fomento à tecnologia e à capacitação e integração entre Estado, iniciativa privada e pesquisa.
Para Botelho, o ponto positivo é a citação à capacitação de profissionais de diferentes áreas envolvidas no processo.
Silva reforça que, assim como o candidato anterior, este plano não apresentou mecanismos de proteção ambiental. Schutte elogia a ideia de elaborar políticas a partir de dados da demanda desses materiais.
5 – Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato também cita o desenvolvimento de uma cadeia verticalizada no Brasil e a necessidade de agregar valor à produção nacional.
Como diferencial, diz que o Estado será “regulador e coordenador”, e não “empresário”, citando seis eixos: “marco regulatório claro e estável; licenciamento ágil e técnico; atração de capital e tecnologia; verticalização com incentivos de mercado; governança; e transparência.”
Para isso, o candidato diz que vai atrair investimentos e tecnologias estrangeiros, “com todos os países que queiram a cooperação do Brasil, sem preconceitos ou ranços ideológicos”.
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Para Botelho, a proposta é genérica, apesar de citar a necessidade de verticalização. Um ponto positivo é a disponibilidade de dialogar com todos os países.
Schutte, por sua vez, avalia que o plano ignora completamente o cenário geopolítico e os interesses de outros países na questão, o que torna a proposta “um pouco ingênua ou contraditória”. O plano coloca o Estado como regulador, mas não cita nominalmente quem vai empreender de fato, dando a entender que isso ficará por conta de investimentos estrangeiros. “Como garantir e organizar para que os interesses das potências internacionais se alinhem aos objetivos de desenvolvimento industrial e tecnológico do país?”, diz Schutte.
Silva destaca a necessidade de acelerar os processos de autorização e licenciamento de exploração, mas sem controle dos impactos ambientais, o que é um risco. Schutte concorda e é mais enfático, classificando a ausência da questão ambiental como “lamentável”.
6 – Lula (PT)
Assim como outros candidatos, o petista também cita os temas da reindustrialização, da produção local e da verticalização em relação aos minerais críticos. Reforça a questão do mapeamento, necessidade de agregar valor e responsabilidade ambiental.
O candidato afirma que as políticas de comércio exterior deverão ser alinhadas com as políticas industriais e de inovação, mas não detalha como.
Também elenca a Amazônia e o Nordeste como regiões centrais para o desenvolvimento sustentável, embora sem muitos detalhes.
É o único a citar a exploração do urânio (que é considerado um mineral crítico) e energia nuclear.
O que dizem os especialistas
Para Botelho, as propostas são genéricas, sem detalhar as ações que serão tomadas para atingir os objetivos. Abordar a exploração do urânio é um diferencial, embora não especifique “qual será o papel do Estado na política nuclear”.
Nessa mesma linha, Schutte diz que o candidato omite uma questão importante em relação ao tema nuclear e não se posiciona sobre “a prioridade a ser dada (ou não) à conclusão de Angra 3”, cuja construção começou na década de 1980 e não terminou até hoje.
De modo geral, os entrevistados reforçam que o plano é pouco ousado e faltam explicações. Para Silva, a proposta define uma “orientação industrial clara”, que visa verticalizar e interiorizar a produção, mas tem pouco “detalhamento sobre os mecanismos de financiamento, propriedade e controle dos empreendimentos e sobre como assegurar a internalização das etapas de maior valor”.
7 – Hertz Dias (PSTU)
O candidato propõe a estatização do setor mineral, revertendo privatizações e expropriando grandes empresas privadas de mineração e incorporando seus ativos ao patrimônio público. Também fala em criar uma estatal de terras raras sob controle dos trabalhadores.
Dias também propõe utilizar os recursos das empresas estatizadas para financiar a expansão da tecnologia de refino e separação de terras raras.
O que dizem os especialistas
Silva diz que as propostas são menos genéricas que de outros candidatos que propõem a nacionalização e a estatização, já que apresenta detalhes de financiamento (os excedentes das empresas, que seriam direcionados a fundos públicos, bancos estatais e investimentos em tecnologia).
Schutte, por sua vez, considera uma “proposta maximalista que exige maioria absoluta no Congresso e imposição de controle de capitais”, além de “desconsiderar por completo as relações de força internacionais”.
8 – Renan Santos (MISSÃO)
O plano de governo é um dos que mais se estendem no tema. No diagnóstico do problema, diz que o Brasil não pode ser um mero exportador de matéria-prima e aponta o monopólio da China no refino das terras raras e no mercado dos superímãs como um desafio à soberania brasileira.
O candidato propõe acordos com os Estados Unidos e a União Europeia para tornar o Brasil fornecedor de minerais em troca de transferência tecnológica em processamento de terras raras; estabelecimento de zonas econômicas especiais (ZEEs) dedicadas ao refino delas e manufatura de produtos, com incentivos fiscais e regulatórios que atraiam investimento direto estrangeiro; criar um consórcio liderado pelo BNDES para financiar projetos do setor; simplificar o processo de licenciamento ambiental; acordos com Japão, Índia, Canadá, Vietnã e Taiwan para cooperação tecnológica; entre outras coisas.
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Os planos não são genéricos e estabelecem um objetivo claro de desenvolvimento tecnológico e verticalização na cadeia. O principal ponto, porém, é o distanciamento total da China e a aproximação aos EUA.
“Embora afirme que o projeto do partido tenha um compromisso inadiável e inabalável com a soberania nacional, as ações propostas desviam desse objetivo, ao escolher parcerias específicas e possibilidades de ingerência de governos estrangeiros na política de exploração de recursos minerais estratégicos”, diz Botelho. “Diante do desafio geopolítico relacionado ao monopólio da China, chega a posicionar o Brasil apenas como um fornecedor confiável de metais críticos e estratégicos, em favor da quebra desse monopólio.”
“Não convém ao Brasil embarcar nessa política, considerando suas relações econômicas e comerciais com a China”, diz Schutte. Além disso, segundo o professor, o candidato erra ao tratar a dominância da China no mercado como um desafio especificamente para o Brasil: “O problema geopolítico se dá entre a China e os Estados Unidos, e não entre a China e o Brasil”.
Para Silva, o candidato foca muito na inserção do Brasil no mercado internacional, mas dispõe pouco sobre qual papel o país terá nessa cadeia e quais capacidades de produção serão instaladas aqui. Além disso, “a destinação social da riqueza gerada pela exploração mineral ocupa posição secundária no desenho apresentado”, diz.
Por fim, “existem afirmações inverídicas de que o Brasil não dispõe de uma política para exploração de terras raras, continuando a ignorar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, recentemente aprovada pelo Senado Federal e sancionada pela Presidência da República”, completa Botelho.
9 – Romeu Zema (NOVO)
O ex-governador de MG propõe atrair empresas privadas para atuar na mineração, facilitando o processo de extração de terras raras. Para isso, quer reduzir o tempo de análise dos pedidos de pesquisa e lavra na Agência Nacional de Mineração, “com prazos definidos, processo digital e decisão técnica”.
Também fala em combater o garimpo ilegal e a mineração do crime organizado e em retomar o “levantamento geológico do território nacional com dados abertos”. Cita, também, o aproveitamento dos rejeitos da mineração.
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Nas propostas, o Estado aparece principalmente como um “facilitador da exploração privada”, segundo Silva.
“O projeto não aborda questões relacionadas à verticalização da indústria mineral e aproveitamento dos minerais estratégicos para desenvolvimento do país”, diz Botelho. “Há uma fixação apenas na produção e geração de riqueza para as empresas, exportando matéria bruta.”
Um ponto positivo, por outro lado, é a citação aos rejeitos, que podem conter minerais estratégicos, inclusive terras raras.
Para Schutte, o projeto é “confuso” e fala em acelerar as autorizações de exploração sem citar a questão ambiental.
10 – Samara Martins (UP)
A candidata propõe reestatizações, incluindo da Vale, e o monopólio público da mineração e de outras áreas estratégicas. Também cita punir as empresas privadas por “acidentes”, incluindo com vítimas fatais – uma referência indireta aos desastres de Mariana e Brumadinho.
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A proposta é “simplista e pouco contribui para o debate”, diz Schutte, e também não cita a questão ambiental, diz Silva.
Além disso, a candidata traz uma contradição, já que afirma que “grandes empresas estrangeiras dos EUA, da União Europeia e da China disputam a exploração de nossas reservas de nióbio”, quando, na verdade, “justamente esse mineral é explorado e controlado por uma empresa majoritariamente (70%) de capital nacional”, explica o professor da UFABC.
Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Brandão (DC) não apresentaram propostas específicas para minerais estratégicos e terras raras.
O especial Ciência e Saúde nas Eleições começou antes da candidatura de Leonardo Avalanche (PRTB) ser aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e, portanto, não entrou na análise dos especialistas consultados. No dia 30 de setembro, Avalanche desistiu de concorrer à presidência.
