Depois que as ninhadas se desfazem, entre a sétima e nona semana de vida dos recém-nascidos, os gatos costumam ter vidas solitárias, só se agregando para acasalar, competir por presas ou disputar território.
Essa natureza solitária é uma herança genética: os gatos domésticos (Felis catus) descendem do gato-selvagem do Oriente Próximo (Felis lybica), um animal extremamente antissocial e territorial (mas vale dizer que gatos selvagens podem sim viver em grupos, em sociedades matriarcais).
O território de um gato é a região ao redor de onde ele dorme e pode chegar a várias dezenas (e até centenas) de metros, variando de bicho para bicho — um dos fatores que mais importam para a extensão do território é até onde o gato precisa ir para achar comida com facilidade. Gatos de áreas rurais tendem a ter territórios maiores, enquanto os gatos urbanos costumam reclamar áreas consideravelmente mais restritas. Fêmeas também possuem territórios menores.
Diferentemente dos humanos, que demarcam seus territórios com muros, cercas e divisórias, os gatos têm uma visão diferente sobre a extensão de seu reino. Para um gato urbano, seu território não é apenas sua casa e as áreas adjacentes (jardins, varandas, etc.), mas também pode englobar várias casas e terrenos vizinhos. É por isso que alguns gatos têm várias casas na vizinhança: na cabeça deles, tudo aquilo lhes pertence.
Os gatos marcam seu território de várias formas. O depósito de fezes e urinas em lugares altos é uma das formas mais comuns, para permitir que outros felinos sintam o cheiro e mantenham distância.
Arranhar é outro método que também usa o recurso do cheiro, uma vez que os gatos possuem glândulas odoríferas entre as almofadas das patas. Por fim, um gato que está marcando território pode esfregar a cabeça em pessoas, nos móveis e em outros objetos, utilizando glândulas odoríferas localizadas no rosto e na cabeça.
É possível que haja sobreposições nos territórios dos gatos, o que não chega a ser um problema, pois os animais sabem como evitar uns aos outros para acessar áreas neutras. Além disso, essa sobreposição permite que os machos chequem os territórios das fêmeas durante sua patrulha e descubram se alguma delas está no cio.
Caso dois gatos se encontrem em uma disputa por território, ela geralmente acontece por meio de miados e gestos até que um dos animais recue. As brigas são incomuns, mas podem acontecer, especialmente se forem dois animais com hábitos dominantes e nenhum deles queira ceder o espaço ao outro. A tolerância de um gato à presença de outros animais pode variar de acordo com seu humor.
Introduzir um novo gato ou filhote em casa também pode despertar os instintos territoriais do gato que já vive lá. Veterinários recomendam que a introdução entre os dois animais seja feita aos poucos, permitindo que eles se vejam e se cheirem com alguma barreira entre si antes que tenham a chance de interagir.
