Em pleno 2026, com WhatsApp, e-mail e assinatura digital, parece estranho que alguém ainda mande papel pelo fio do telefone. Mas o fax resiste, e o jeito como funciona é uma pequena aula de engenharia.
Tudo começa no scanner. A folha é puxada por rolos e iluminada por uma luz, hoje geralmente LED, enquanto um sensor mede quanto brilho volta de cada ponto. Áreas brancas refletem muita luz, e áreas escuras refletem quase nada. A luz, portanto, não atravessa o papel, como muita gente imagina. O resultado é uma grade de pontos, no padrão mais comum com cerca de 200 por polegada na horizontal e 100 na vertical. Cada ponto vira preto ou branco, 1 ou 0, sem meio-termo e sem tons de cinza.
Enviar essa grade crua seria lento, então o fax a comprime. Em vez de anotar “branco, branco, branco” centenas de vezes, ele registra algo como “300 pontos brancos seguidos”. Como uma carta tem muito espaço vazio, a economia é enorme.
Aí entra o modem, que converte os bits em sons modulados. Antes disso, porém, os dois aparelhos fazem aquele cumprimento barulhento que todo mundo reconhece. Eles trocam tons para combinar a velocidade que a linha aguenta, que varia de 2.400 a 33.600 bits por segundo, dependendo do modelo e da qualidade da linha. Uma página leva de alguns segundos a cerca de um minuto. No destino, o aparelho faz o caminho inverso: transforma os sons em bits, descomprime os dados e reconstrói a imagem ponto a ponto.
A impressão pode ser de vários tipos. O clássico papel térmico, vendido em bobinas, é revestido com um corante que escurece sob calor. A cabeça de impressão tem minúsculos elementos de aquecimento que “desenham” a página, sem tinta nem toner. Por isso o papel é barato, mas também por isso o fax antigo desbota com o tempo e suja os dedos de quem o manuseia. Modelos mais modernos usam jato de tinta ou laser, como uma impressora comum.
A ideia é bem mais velha que o telefone. Em 1843, o escocês Alexander Bain, um relojoeiro, patenteou um sistema que varria uma imagem e a reproduzia a distância, usando pêndulos sincronizados. Em 1865, o italiano Giovanni Caselli inaugurou na França o primeiro serviço comercial do tipo, ligando Paris e Lyon. Mas o fax só virou febre nos anos 1980, depois que um padrão internacional digital, o chamado Grupo 3, deixou as transmissões muito mais rápidas.
Hoje, a internet tirou o fax do centro do palco, mas não o aposentou. Ele ainda aparece em hospitais, cartórios, escritórios jurídicos e órgãos públicos de vários países, onde protocolos antigos e exigências legais mantêm o hábito vivo. Boa parte desses “faxes” nem tem mais papel: são serviços que recebem o documento pela rede, via protocolo T.38, e o entregam na caixa de e-mail. O fio mudou, mas o princípio de Bain continua lá.
Este conteúdo foi atualizado com inteligência artificial e revisado por jornalistas da Super a partir de um texto de 2011 da Mundo Estranho.
