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Corais doentes podem se curar ao encostar em clones saudáveis

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À medida que as temperaturas globais aumentam, os corais sofrem com águas cada vez mais quentes, o que provoca o branqueamento e, em casos extremos, a morte desse ecossistema. Agora, um novo estudo, publicado na revista Science Advances, sugere que corais saudáveis ​​podem ajudar a regenerar os que estão à beira da morte.

Em experimentos laboratoriais, fragmentos de coral branqueado recuperaram a cor poucas semanas depois de encostar em um pedaço saudável da mesma colônia e geneticamente idênticos. Esse método provavelmente não é capaz, por si só, de restaurar todos os corais doentes ao redor do mundo, mas pode inspirar novas estratégias de recuperação.

Embora se assemelhem a plantas ou rochas, os corais são animais. A maioria das espécies vive em colônias formadas por pequenos organismos chamados pólipos, gerados por cópias de si mesmos e, portanto, geneticamente idênticos. Com o tempo, esses clones secretam esqueletos de calcário e dão origem à estrutura dos recifes de coral marinhos.

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Alguns corais têm uma relação mutualística – aquela que beneficia os dois organismos envolvidos – com algas chamadas zooxantelas. As algas vivem nos tecidos dos corais, que lhes oferecem abrigo e, em troca, recebem a energia que precisam para sobreviver. São elas também as responsáveis pela coloração desses animais.

No entanto, quando a temperatura das águas aumenta, os corais entram em estresse e expulsam as zooxantelas. Sem esses parceiros, os corais passam fome, tornam-se suscetíveis a algas nocivas e perdem a cor – daí o termo “branqueamento”. Quando o coral branqueia, ele não está morto ainda, mas tem um tempo limitado para encontrar novas algas antes de se decomporem.

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A recuperação total, caso seja possível, pode levar de meses a anos. Não à toa, os corais enfrentam taxas de mortalidade severas em todo o planeta. Mas é imprescindível que eles sejam preservados: recifes de corais sustentam 25% da vida marinha do mundo, uma vez que suas estruturas fornecem abrigo, alimentação, reprodução e berçário para muitos peixes, além de serem proteção costeira e contribuírem com o equilíbrio do clima.

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Toque mágico

Pesquisadores da Universidade Stanford se depararam com o toque mágico dos corais quase por acidente. Em um tanque de laboratório, um fragmento saudável de coral tombou acidentalmente e entrou em contato com um pedaço branqueado da mesma colônia. No ponto de contato, o fragmento pálido recuperou sua cor. 

Paralelamente, pesquisadores refletiam sobre a capacidade de bactérias penetrarem nos corais apenas pelo contato breve com materiais contaminados, como resíduos plásticos. Eles se perguntaram, então, se essa sensibilidade dos corais também poderia ser transformada em um benefício com o contato entre corais saudáveis e doentes.

A equipe testou a ideia utilizando 10 pares de fragmentos de coral provenientes da mesma colônia. Em metade dos casos, os fragmentos doentes e saudáveis ​​foram posicionados de modo a ficarem em contato; nos demais, mantiveram-se em uma distância de alguns milímetros.

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Com o experimento, pesquisadores tiveram resultados claros: todos os corais branqueados que estavam em contato direto com clones saudáveis se ​​recuperaram totalmente em sete semanas. Já os fragmentos branqueados que não estavam em contato apresentaram um desempenho ruim, e alguns acabaram morrendo.

Uma análise mais detalhada revelou que o contato físico entre dois clones de coral permitia o alinhamento de pequenos canais em seus tecidos. Dessa forma, o coral saudável conseguia transferir algas benéficas e nutrientes para o coral sob estresse. A equipe observou essas ocorrências nos corais doentes após apenas três dias de contato.

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Além disso, não era necessário que os fragmentos permanecessem em contato durante todo o período de recuperação. Após quase uma semana, os corais branqueados podiam ser separados e continuar sua recuperação de forma independente. Os fragmentos separados se recuperaram, inclusive, na mesma velocidade que os pares que permaneceram juntos. 

Ainda que a descoberta seja promissora, ela não pode ser aplicada como um método de recuperação em ambientes naturais e não é eficaz para corais que já morreram. Os autores da pesquisa reforçam que a melhor forma de ajudar os corais continua sendo a redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis ​​pelo aquecimento do planeta.

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