- Publicidade -
spot_img
HomeCiência de VerdadePor que as criaturas abissais ficam gigantes?

Por que as criaturas abissais ficam gigantes?

- Publicidade -

Na mitologia mesopotâmica, a serpente marinha Tiamat era uma divindade primordial associada ao mar e ao caos. Na tradição hebraica, o dragão Leviatã é uma criatura marinha colossal e ameaçadora. Já na mitologia grega, a baleia gigante Ceto e outros monstros marinhos, como Cila, com suas 12 pernas e seis pescoços, personificam os perigos das águas.

A tradição de imaginar criaturas marinhas gigantes provavelmente nasceu da combinação de três fatores: o medo do oceano desconhecido, o encontro com animais reais pouco familiares e a tendência de transformar forças naturais em seres monstruosos. Mas esses mitos também tinham um pezinho na realidade: hoje em dia, o gigantismo é uma característica que pode ser observada em várias espécies abissais, ou seja, que habitam as profundezas do oceano.

Um exemplo é a lula-gigante, que pode ultrapassar 10 metros de comprimento total. Outro é o isópode-gigante, um crustáceo aparentado com o tatuzinho-de-jardim que pode chegar a cerca de 50 centímetros. Esse fenômeno é chamado de gigantismo abissal e ele apresenta um padrão: em muitos casos, as espécies que habitam águas profundas tendem a ser muito maiores do que seus parentes que vivem em águas rasas. Mas por que isso acontece?

Qual a diferença entre lesma, caracol e caramujo?


Continua após a publicidade

Gigantes dos mares

Em um estudo de 2006, o biólogo Craig R. McClain propôs analisar o fenômeno da mesma forma como olhamos para as ilhas que existem na superfície. As ilhas, em geral, seguem um princípio conhecido como Regra da Ilha (ou Regra de Foster), que diz que o tamanho corporal dos animais tende a mudar quando eles vivem em ambientes isolados, como ilhas.

Animais de grande porte, como elefantes e hipopótamos, tendem a diminuir de tamanho ao longo das gerações (nanismo insular) devido à escassez de alimentos na ilha. Já os animais de pequeno porte, como roedores e insetos, tendem a aumentar de tamanho (gigantismo insular) porque, sem a pressão de grandes predadores, conseguem crescer e ocupar novos nichos ecológicos.

Continua após a publicidade

De acordo com McClain, o mar profundo funciona de forma similar a uma ilha. Após um evento de extinção em massa durante o Cenozoico, grande parte da fauna das águas profundas se ramificou a partir de espécies provenientes de águas rasas. Algumas ficaram menores por causa da falta de alimentos. Outras ficaram gigantes.

Para essas que aumentaram de tamanho, McClain e outros estudiosos propõem quatro explicações:

Continua após a publicidade

  • Escassez de recursos favorece corpos maiores: Esses indivíduos são capazes de resistir melhor a períodos de escassez de alimento e também de percorrer distâncias mais longas em busca de presas raras.
  • Ausência de predadores: No mar profundo, fica difícil o desenvolvimento de predadores capazes de se alimentar de organismos maiores. Com isso, abre-se uma oportunidade evolutiva para o surgimento de animais gigantes (o predador mais perigoso das lulas, a baleia cachalote, precisa se deslocar da superfície para se alimentar delas)
  • Baixas temperaturas nas profundezas: Elas favorecem um crescimento mais lento, o que também pode contribuir para o desenvolvimento de corpos maiores.
  • Menor quantidade de oxigênio: A água fria e profunda tem menos oxigênio. Essa combinação de fatores pode favorecer a obtenção de oxigênio por animais maiores, o que ajudaria na evolução desses indivíduos maiores.

É importante dizer que não existe uma explicação única e comprovada para o gigantismo abissal. As hipóteses citadas aqui podem estar em ação de forma conjunta, justificando casos diferentes. Além disso, viver no abismo não significa ser gigante: a profundidade abriga animais de tamanhos muito variados e muitas espécies são minúsculas.

Animais abissais gigantes

Continua após a publicidade

Eis alguns dos mais interessantes:

  1. Lula-gigante (Architeuthis dux)
  2. Lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni)
  3. Isópode-gigante (Bathynomus giganteus)
  4. Peixe-remo (Regalecus glesne)
  5. Caranguejo-aranha-japonês (Macrocheira kaempferi)
  6. Água-viva-fantasma-gigante (Stygiomedusa gigantea)
  7. Sifonóforo-gigante (Praya dubia)

Publicidade

- Publicidade -
- Publicidade -
Midias Sociais
35,000FansLike
419,000FollowersFollow
ÚLTIMAS NOTICIAS
- Publicidade -
Relacionadas
- Publicidade -