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A cidade soterrada de Acrotíri: conheça a “versão grega” do desastre de Pompeia

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Em meados do século 19, uma das maiores obras da engenharia marítima tomava forma no Egito: o Canal de Suez. Criado para ligar o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, ele evitou que os navios europeus tivessem de contornar a África para chegar à Ásia. Esse projeto exigiu um esforço humano, financeiro e tecnológico sem precedentes.

A Grécia assumiu o papel de provedora de matéria-prima, por meio de projetos de extração de pedra-pomes e pozolana (um material de construção de origem vulcânica) em Santorini, no Mar Egeu. Em 1867, em meio à mineração, operários acidentalmente encontraram vestígios de construções pré-históricas soterradas pelas cinzas.

Ali, as escavações revelariam ruas pavimentadas, sistemas avançados de drenagem e casas de dois e três andares. Dentro dessas casas, foram encontrados ainda afrescos como o de dois garotos boxeando, de andorinhas voando entre flores e de um pescador, além de uma frota de navios pintada em miniatura. Essa era a antiga cidade de Acrotíri, da Idade do Bronze, que prosperou no Mar Egeu há mais de 3.500 anos.

A cidade foi destruída pela erupção do vulcão de Thera, antigo nome de Santorini, provavelmente entre 1620 a.C. e 1530 a.C. O evento foi uma das maiores erupções vulcânicas já registradas: o Thera liberou cerca de quatro vezes mais material vulcânico do que a erupção do Krakatoa, que, em 1883, matou mais de 36 mil pessoas no território que hoje corresponde à Indonésia.

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Assim como a cidade romana de Pompeia, que foi destruída pela erupção do monte Vesúvio em 79 d.C., Acrotíri foi preservada pelas cinzas. A cidade ficou soterrada sob uma espessa camada de cinza e pedra-pomes – que chega a 60 metros em alguns pontos da ilha. Esse material isolou as estruturas da luz, do ar e da umidade – e, assim, ajudou a conservá-las. Além disso, a ilha como um todo permaneceu desabitada por séculos.

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Isso permitiu que arqueólogos, milênios depois, chegassem a um sítio arqueológico muito bem preservado. Em 1967, um século depois da primeira descoberta, um time liderado pelo arqueólogo Spyridon Marinatos iniciou as escavações sistemáticas no local. Desde então, foram identificadas 35 construções em pouco mais de um hectare, uma área bem menor do que a estimada para o assentamento inteiro – que teria aproximadamente 20 hectares.

Nas décadas seguintes, pesquisadores continuaram a encontrar mais objetos que revelavam detalhes do cotidiano dos antigos moradores de Acrotíri. Exemplo disso são os afrescos, que retratam cenas do dia a dia da cidade, de maneira semelhante aos murais egípcios.

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Os achados também revelam uma cidade conectada por rotas comerciais. Cerâmicas, artefatos manufaturados e matérias-primas como marfim, ovos de avestruz, madeira e pigmentos indicam que Acrotíri mantinha contato com todo o Mediterrâneo Oriental. Marcada pelo transporte marítimo, a cidade negociava bens manufaturados e metais, como cobre, estanho, chumbo, prata e ouro.

O maior mistério, por enquanto, envolve as possíveis vítimas do desastre. Até hoje, pesquisadores não encontraram os restos mortais de nenhum morador de Acrotíri vítima da erupção. Isso sugere que a maioria – senão todos – dos habitantes do assentamento conseguiu escapar com vida. Já em Pompeia, arqueólogos continuam encontrando esqueletos de vítimas quase 2 mil anos após a erupção do Vesúvio.

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O sítio arqueológico de Acrotíri fica aberto ao público na maior parte dos dias da semana. Os visitantes podem explorar o local por conta própria ou acompanhados por um guia, que pode oferecer explicações detalhadas sobre cada estrutura. O Museu da Thera Pré-Histórica, em Fira, a capital da ilha, também abriga muitos dos artefatos encontrados no local e está aberto à visitação. Os afrescos mais famosos, porém, como o dos garotos boxeando e o das andorinhas, estão expostos no Museu Arqueológico Nacional, em Atenas.

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