De acordo com o líder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o clima não é de comemoração no governo, mas de cautela diante da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar apontou que o foco do Executivo será tentar não deixar o fato contaminar as votações neste fim de ano, principalmente o Orçamento, e reconstruir a relação com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Tenho percebido que não há clima de comemoração, e sim cautela. É momento de, primeiro, defender o ministro Alexandre de Moraes e, segundo, preservar o forte o funcionamento das instituições do Estado Democrático de Direito. A prisão é uma prova do funcionamento das instituições. Portando, a Justiça está sendo feita feita. Ele vai ter que cumprir pena, ninguém em está acima de lei”, afirmou Guimarães ao Metrópoles.
A prisão de Bolsonaro ocorreu na manhã deste sábado (22/11), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), após o ex-presidente tentar violar sua tornozeleira eletrônica. A oposição prometeu reagir, obstruindo votações no Congresso até a análise do projeto de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro, ameaçando travar até o Orçamento de 2026.
6 imagens



Fechar modal.![]()
1 de 6
Ex-presidente Jair Bolsonaro é preso
HUGO BARRETO/METRÓPOLES
2 de 6
Reprodução
3 de 6
BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
4 de 6
BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
5 de 6
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
6 de 6
O líder do governo Lula na Câmara, José Guimarães (PT-CE)
Reprodução
Guimarães, nesse sentido, afirmou que o governo precisa focar em garantir a votação de quatro pautas: o projeto de endurecimento das regras para o “devedor contumaz”; a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que reformula a área de Segurança Pública; a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual, sendo as duas últimas os pilares da verba federal do próximo ano.
“Se vamos votar ou não é outra história, há outros problemas que precisam ser superados”, adiantou o líder do governo. Questionado sobre a quais “problemas” faz referência, o líder de Lula explicou: “Ficou um contencioso com o PL Antifacção, estamos dialogando para virar a página para votar os projetos, recompor a relação com as duas Casas, essa é a responsabilidade do governo”, disse o líder petista.
Leia também
Flávio pede que apoiadores evitem PF e vão a vigília por Bolsonaro
Auxiliar de Trump expressa “profunda preocupação” com prisão de Bolsonaro
Celina Leão recebeu Michelle em aeroporto após prisão de Bolsonaro
Defesa de Bolsonaro pede autorização para visita de Michelle e filhos
Ele cita os problemas recentes entre o governo e Hugo Motta, que fez reclamações públicas contra Lula pela posição do petista contra o PL Antifacção. A proposta foi originalmente gestada pelo Planalto, mas o presidente da Câmara decidiu dar a relatoria para o oposicionista Guilherme Derrite (PP-SP). O parlamentar fez uma série de mudanças, inclusive com impacto financeiro na Polícia Federal (PF), levando a base governista a votar contra.
“Quem lidera o governo não pode ter como linha o atrito permanente. Eu, como líder do governo, convivi dois anos com [a presidência do deputado Arthur] Lira, votamos todas as matérias de interesse do país, inclusive polêmicas. É meu papel, não sou líder de uma bancada, mas de um governo com várias forças que dão sustentação. Evidentemente defendendo as posições do governo, mas isso não significa romper a corda. Nosso papel é recompor e preservar a identidade do governo, com respeito”, explicou Guimarães.
Em resumo, Guimarães apontou que a prisão não altera a agenda do governo. “Continuamos trabalhando muito para recuperar e consolidar os pressupostos do crescimento da economia, votar os projetos que são necessários para nos prepararmos para 2026. Penso que o Congresso não vai, por conta deste fato, inviabilizar decisões que dizem respeito ao país, como o Orçamento. O Congresso sempre demonstrou compromisso com o país, não vai entrar nessa”, afirmou o deputado.
