A oposição não conseguiu transformar a insatisfação com o governo Lula (PT) em um voto efetivo por mudança. É o que avalia Felipe Nunes, CEO da consultoria Quaest, ao comentar a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (3/4) que mostra o presidente percentualmente à frente de nomes como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo o levantamento, em simulações de segundo turno contra qualquer adversário, Lula ainda seria o preferido do eleitorado — mesmo entre aqueles que desaprovam sua gestão.
Em um hipotético segundo turno entre Lula e Bolsonaro, por exemplo, o presidente ficaria em primeiro lugar, com 44% da preferência dos entrevistados. Bolsonaro teria 40%, resultado que deixa os dois empatados dentro do limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
“A oposição não conseguiu traduzir toda a insatisfação com o governo em voto de mudança. Nem toda desaprovação ao governo se transforma em voto em um adversário”, explicou o CEO da Quaest. Segundo ele, em muitos casos a insatisfação acaba virando abstenção ou voto nulo.
A pesquisa mostra que, entre os eleitores que reprovam o governo Lula, de 14% a 18% ainda votariam nele em um eventual segundo turno, evitando outro candidato. Além disso, entre 17% e 32% optariam por não apoiar nenhum candidato, o que, segundo Nunes, revela um fenômeno de “alienação eleitoral”.
2/ A oposição não conseguiu traduzir toda a insatisfação com o governo em voto de mudança.
Nas simulações de 2º turno contra qualquer candidato, há entre 14% e 18% que desaprovam o governo, mas comparando com outro candidato, ainda preferem Lula.
E há entre 17% e 32%,… pic.twitter.com/I8Jv5nJ6qz
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) April 3, 2025
Lula enfrenta desgaste
Apesar da vantagem nas simulações, Lula sofre com o desgaste da gestão. A pesquisa mostra que a rejeição dele atingiu 55%, um aumento de 10 pontos desde dezembro do ano passado.
Nos cenários analisados, o petista empata com Bolsonaro e supera Tarcísio em um eventual segundo turno.
Já a rejeição de Bolsonaro também está em 55%, mas, segundo a Quaest, a aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele teve pouco impacto em sua imagem.
Bolsonaro está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-presidente foi condenado por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação devido a uma agenda de julho de 2022 em que reuniu embaixadores estrangeiros para questionar o sistema eleitoral brasileiro.
“Lula e Bolsonaro empatam na simulação de segundo turno justamente porque apresentam o mesmo patamar de conhecimento, o mesmo nível de rejeição, mas com uma pequena vantagem de potencial de voto para o atual presidente”, concluiu Nunes.