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HomeCiência de VerdadeEssa aranha marinha gigante ilumina as profundezas do oceano australiano

Essa aranha marinha gigante ilumina as profundezas do oceano australiano

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Em 2017, cientistas realizavam um levantamento marinho nas águas profundas da costa leste da Austrália, a milhares de metros de profundidade, quando se depararam com uma luz em meio à escuridão do oceano. Tratava-se de aranhas-do-mar gigantes que emitem um brilho azul. Mais especificamente, eram as espécies Colossendeis tasmanica e Colossendeis minor, que nunca haviam sido fotografadas ou formalmente documentadas.

Na verdade, pouco se sabe sobre as aranhas marinhas bioluminescentes de forma geral. A ciência ainda não chegou a conclusões definitivas sobre como elas conseguem emitir luz, se ela é produzida pelos próprios indivíduos ou se as aranhas adquirem essa característica de outros animais.

Por isso, os pesquisadores decidiram coletar espécimes dos animais. Eles levaram sete Colossendeis tasmanica e duas Colossendeis minor até o navio de pesquisa para análise. Os animais estavam entre 1.006 e 4.977 metros de profundidade. Os resultados do estudo foram publicados este mês no periódico científico Deep Sea Research.

O primeiro experimento foi colocar as aranhas em uma sala escura. Quando os animais eram estimulados com leves beliscões ou estímulos químicos, começavam a brilhar. Isso já era um forte indício de que a luz é produzida pelas próprias aranhas.

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Duas imagens comparativas de raízes de plantas em fundo preto. A imagem superior (A) mostra raízes claras e finas, dispostas radialmente. A imagem inferior (B) exibe as mesmas raízes, mas com seções brilhantes em azul fluorescente, indicando marcação ou atividade. Uma barra de escala branca está presente na imagem superior
Mallefet, Staples, O’Hara, Duchatelet / Artigo “Abyssal glowing sea spider, first insight into pycnogonid luminescence”, no periódico Deep Sea Research Part I/Divulgação
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Os pesquisadores também mediram diversos aspectos da luz, como cor e intensidade pelo corpo do animal. No caso da Colossendeis tasmanica, a luz era azul-escura e mais intensa nas pernas, e diminuía gradativamente pelo corpo. Além disso, o brilho provocado pelos estímulos manuais dos pesquisadores era mais breve e fraco. O provocado pelos estímulos químicos, por outro lado, chegava a durar dez minutos.

Depois, partiram para os experimentos bioquímicos em laboratório, realizados em terra firme. Analisaram as aranhas ao microscópio, observando seus tecidos de perto. Com isso, identificaram que a bioluminescência é produzida por células do intestino presentes nas patas dos animais.

Ou seja: provavelmente, a luz está relacionada a algum alimento consumido pelas aranhas.

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Além disso, um teste químico mostrou que a presença de peróxido de hidrogênio e cálcio fez os animais brilharem, o que indica que pode se tratar de um sistema de produção fotoproteico, semelhante ao das águas-vivas.

Com essas descobertas iniciais, agora a pesquisa busca avançar nos estudos das aranhas e entender mais sobre esse mecanismo, que ainda deixa muitas incógnitas. “A função ecológica da bioluminescência de C. tasmanica, seja para defesa contra predadores, predação ou reprodução, permanece especulativa e justifica uma investigação mais aprofundada dessa espécie abissal”, escrevem os autores no estudo.

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