O Ministério Público (MP) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue possíveis irregularidades na criação e regulamentação do crédito consignado, modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou de benefícios sociais, como aposentadoria, por exemplo.
Segundo o autor do pedido, o subprocurador-geral, Lucas Furtado, a ferramenta, que inicialmente se apresentava como apoio financeiro, se tornou motivo de endividamento das populações mais vulneráveis.
Leia também
Agibank multiplicou valores de consignados 69 mil vezes desde 2020
Suspenso pelo INSS, Agibank faturou R$ 15 bilhões com consignados
Consignado do trabalhador liberou R$ 80 bilhões em sete meses
Nos primeiros 6 meses de concessão, consignado CLT eleva endividamento
“Isso ocorre porque essa modalidade de crédito passou a comprometer parcela substancial da renda das famílias, agravando desigualdades sociais e convertendo direitos sociais em ativos financeiros”, alegou.
De acordo com ele, ao atuar como garantidor do sistema financeiro, o Estado reforçou essa lógica do endividamento e permitiu que interesses privados se sobrepusessem ao bem-estar coletivo.
Ele solicitou, ainda, que o TCU avalia a responsabilidade do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e de seus gestores pela edição de normas infralegais que extrapolam a competência do órgão e possibilitam a continuidade de práticas abusivas.
Além disso, Furtado pede que o INSS revise as normas para garantir mais transparência e prevenir o superendividamento dos beneficiários.
Endividamento no consignado
Um estudo do Banco Central (BC) mostrou que houve aumento do endividamento entre trabalhadores que contrataram o novo consignado privado, conhecido como consignado CLT.
Houve aumento médio de 58% no endividamento no mês da contratação do crédito. O montante que era de R$ 18,4 bilhões, em fevereiro, antes da nova modalidade, e passou para R$ 33,1 bilhões, em julho, alta de R$ 14,7 bilhões.
Os dados fazem parte do Relatório de Política Monetária, divulgado pela instituição em setembro.
