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5 escritores que foram políticos e você não sabia

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A arte, seja na música, na pintura, no cinema ou na literatura, pode ser uma poderosa ferramenta para transmitir mensagens ou críticas políticas. Não é surpresa, então, que historicamente alguns artistas tenham participado ativamente também da esfera política. 

Falando apenas de escritores, podemos citar nomes como o de Carlos Drummond de Andrade, que foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, que foi Ministro da Educação nos anos 1930, além de figuras como Mário de Andrade e Augusto Meyer, que idealizaram projetos para o governo Vargas. Guimarães Rosa, por sua vez, foi diplomata por três décadas. 

Mas alguns deles foram além e chegaram a se candidatar a cargos eletivos. O exemplo mais atual é o caso de Augusto Cury, candidato à presidência da República no pleito de 2026, que até então era conhecido pela produção de livros ligados à saúde emocional e ao desenvolvimento pessoal. 

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Cury não ganhou, mas existem casos bem-sucedidos de escritores que se tornaram políticos. Conheça cinco deles. 

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Graciliano Ramos

O autor alagoano, conhecido por obras como Vidas Secas, S. Bernardo e Angústia, é frequentemente citado como um dos maiores nomes da literatura brasileira. Assim como outros dessa lista, sua obra era diretamente ligada às questões sociais, políticas e históricas que desafiavam as normas da época. 

Menos conhecido, porém, é seu ativismo político. Antes de escrever qualquer uma de suas obras, Graciliano foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, em seu estado natal, em 1927. Ele permaneceu apenas dois anos no cargo, mas, segundo O Globo, seu mandato é lembrado pelo combate à corrupção e pelo foco em políticas públicas para periferias. 

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Graciliano imortalizou sua experiência como prefeito em relatórios de prestação de contas enviados ao governo de Alagoas. Com ironia, escreveu em um deles sobre os mais abastados do município: “Bem comido, bem bebido, o pobre povo sofredor quer escolas, quer luz, quer estradas, quer higiene. É exigente e resmungão. Como ninguém ignora que se não obtém de graça as coisas exigidas, cada um dos membros desta respeitável classe acha que os impostos devem ser pagos pelos outros”.

A qualidade dos textos chamou a atenção do Augusto Frederico Schmidt, dono da Livraria Schmidt Editora. Assim, levou à publicação do primeiro romance de Graciliano, Caetés, em 1933. Na época, o autor já havia deixado a prefeitura de Palmeira e sua carreira como escritor começou a deslanchar – foi quando vieram seus maiores clássicos. 

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O teor de seus livros e outros posicionamentos em sua vida pública fizeram com que Graciliano fosse preso pelo governo de Getúlio Vargas em março de 1936 sob acusação de que era comunista. Ele passou aproximadamente 10 meses encarcerado, no Rio de Janeiro, onde passou seu tempo escrevendo Memórias do cárcere, obra que seria lançada apenas em 1953, poucos meses após sua morte.

Apesar de ter sido preso sob a acusação de comunismo, o escritor só se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) anos depois, em agosto de 1945, a convite de Luís Carlos Prestes.

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Jorge Amado

O baiano Jorge Leal Amado de Faria é bem conhecido por sua militância na literatura. Desde suas primeiras obras como Cacau (1933) e Suor (1934), passando por Capitães da Areia (1937), até Seara Vermelha (1946), as obras da primeira fase de sua carreira são conhecidas pelo cunho político e de denúncia social.

Enquanto escrevia, Jorge Amado também atuava como um dos principais nomes do PCB. O escritor havia se filiado ao partido em 1932, onde participava com frequência de reuniões e atuava, inclusive, nas questões burocráticas. Isso, porém, lhe custou a liberdade: Amado foi preso três vezes (em 1936, 1937 e 1942, além de períodos de exílios) pelo governo Vargas.  

Com a queda de Vargas e a volta do Partido Comunista à legalidade em 1945, o baiano concorreu a deputado federal por São Paulo. Ele foi eleito com mais de 15 mil votos. 

Ele foi autor de projeto de lei que garantia a liberdade religiosa do país, que passou a vigorar a partir da Constituição de 1946. Além disso, apresentou outras emendas que previam a isenção do tributo à importação e produção de livros e o fim da censura prévia em livros e jornais.

Amado teve o mandato cassado em 1948, após o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra colocar o partido na ilegalidade e o registro eleitoral ser cancelado. Com isso, o escritor se afastou gradualmente do partido e passou a focar em romances de costumes, humor, sensualidade e forte regionalismo. 

José de Alencar 

O “pai da literatura brasileira” e um dos precursores da primeira geração do romantismo no Brasil, José de Alencar também tem outros feitos em seu currículo: além de escritor, foi jornalista, advogado e deputado eleito através do Partido Conservador do Império, pela província do Ceará em maio de 1860.

Enquanto político, José de Alencar defendia a abolição gradual da escravidão, o sufrágio feminino e ficou conhecido por implementar o mecanismo jurídico do habeas corpus preventivo no sistema brasileiro. Em 1868, foi indicado ao cargo de Ministro da Justiça, no qual permaneceu por pouco mais de dois anos.

No período entre 1860 e 1870, Alencar publicou Lucíola (1862), Diva (1864), As Minas de Prata (1865), Iracema (1865), O Gaúcho (1870) e A Pata da Gazela (1870). 

Pablo Neruda 

Laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda é até hoje o escritor mais popular do Chile. Além da poesia, que denunciou desigualdades e questões sociais e políticas, ocupou muitas posições diplomáticas em vários países durante a sua vida e, em 1945, serviu um mandato como Senador pelo Partido Comunista do Chile.

Durante seu mandato, Neruda se dedicou às questões trabalhistas. Ele defendeu a ampliação dos direitos trabalhistas e o fortalecimento das organizações sindicais. Ainda denunciou as condições precárias de trabalho nas minas de salitre e cobre e apoiou projetos que visavam combater a desigualdade social.

Em 1948, porém, com o banimento do comunismo no Chile, Neruda teve seu mandato cassado e foi alvo de um pedido de prisão. Isso forçou o escritor a deixar o país; ele se refugiou na Europa, no México e, por fim, na União Soviética. Nesse período, escreveu algumas de suas obras mais conhecidas, como Canto Geral (1950) e Odes Elementares (1954).

Anos mais tarde, após o restabelecimento das liberdades civis, Neruda retornou ao Chile e foi indicado como candidato do Partido Comunista à eleição presidencial de 1970. No entanto, preferiu retirar sua candidatura para apoiar o também socialista Salvador Allende, de quem se tornou conselheiro próximo posteriormente. 

Ele morreu no dia 23 de setembro de 1973, em Santiago, aos 69 anos, apenas 12 dias após o golpe militar liderado por Augusto Pinochet, que retirou Allende do poder. Por décadas, a causa da morte foi atribuída oficialmente a complicações de um câncer de próstata. No entanto, muita gente, inclusive a família de Neruda, suspeitava de envenenamento por questões políticas.

Em 2023, peritos concluíram que ele possivelmente foi envenenado com a bactéria Clostridium botulinum, causadora do botulismo. Em 2024, um juiz mandou a retomada das investigações.

Victor Hugo

Um dos maiores nomes do romantismo francês, o autor de Os Miseráveis (1862) e O Corcunda de Notre-Dame (1831) começou sua carreira na política como um monarquista conservador, progredindo eventualmente ao republicanismo. Eleito deputado em 1845, Victor Hugo tinha uma posição de prestígio na Câmara da monarquia, com uma cadeira concedida pelo próprio rei Luís Filipe I. 

No entanto, com a Revolução de 1848, que encerrou a monarquia no país, Hugo passou a ter ideais mais republicanos. Quando foi eleito para a Assembleia Constituinte, ele passou a defender pautas como o sufrágio universal, a educação pública e gratuita e o fim da pena de morte.

A ruptura definitiva com a monarquia veio com o golpe de Estado de Luís Napoleão Bonaparte, em dezembro de 1851. O escritor foi obrigado a deixar a França e viveu quase duas décadas no exílio. Nesse período escreveu algumas de suas obras mais importantes, entre elas, Os Miseráveis.

Hugo só retornou ao país em 1870, após a queda do imperador, e foi recebido como herói. No mesmo ano, foi eleito para a Assembleia Nacional e, mais tarde, tornou-se senador da Terceira República.

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