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Amyr Klink: “Eu tinha uma relação muito complicada com o meu pai”

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100 Dias, que estreia dia 29 de outubro nos cinemas, narra a travessia a remo do Atlântico Sul feita pelo navegador brasileiro Amyr Klink nos anos 1980. Assista ao trailer:

A Super bateu um papo com Klink sobre o novo filme. Confira:

Quem vota no Oscar?


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Super: Essa é uma adaptação do seu livro Cem Dias entre o Céu e o Mar. Teve algo que você fez questão que estivesse no filme?

Klink: Fiz questão de não me envolver, pois entendo que é outra obra. Tenho muito apreço pelo diretor, Carlos Saldanha [da animação Rio], e logo nas primeiras reuniões com ele falei: “Toma, que o filho é seu”.

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No final, fiquei muito impressionado com o preciosismo histórico dele. Eles usaram a réplica navegável do barco encomendada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Ela é perfeita. Quando eu olho esse barco ao lado do meu, não sei dizer com qual eu viajei.

No livro, você fala brevemente da relação com os seus pais, mas parece que o filme aborda isso de maneira mais profunda. Como foi trazer para o público a dimensão da sua história?

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Foi um período complicado na minha vida. A única pessoa que sabia o que eu estava fazendo era a minha mãe […]. Eu tinha uma relação muito complicada com o meu pai. Ele era um homem difícil, violento. Ficou endoidecido quando leu no jornal que um brasileiro chamado Amir iria atravessar o Atlântico remando.

“Eu sou o último a saber”, ele disse, e brigou a ponto de não falar mais comigo. No final, houve uma reconciliação no meio da viagem, quando alguns radioamadores o colocaram na linha. “Muito bem, grandão, que Netuno te proteja”. Ele falava assim mesmo, de um jeito épico, até meio assustador.

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Homem de camisa azul e calça jeans toca um barco branco com faixas verde e amarela, onde se lê PARATY BRASIL e a bandeira brasileira, em uma doca ensolarada
Reprodução/Divulgação

Como foi acompanhar as gravações?

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As gravações foram um ato de heroísmo, né? Porque, pelo amor de Deus, a paciência que tem que ter para fazer um filme… Eu só fiz uma visita no set em Paraty (RJ) e outra na piscina com não sei quantos milhões de litros que a produção fez no interior de São Paulo, numa fábrica abandonada da Sherwin-Williams.

Acho que o Filipe [Bragança, que interpreta Klink] sofreu bem mais que eu, porque eles construíram essa máquina de fazer onda e ele tomou água na cara. Deve ter bebido água da piscina, coisa que não aconteceu comigo (risos).

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