Se a simples ideia de uma aranha é o suficiente para te dar calafrios, a aparência de duas espécies recém-descobertas por pesquisadores canadenses talvez te cause pesadelos. As criaturas pertencem à família das aranhas-do-mar e foram encontradas em águas rasas no Mar de Salish, entre Washington, EUA, e a província canadense da Colúmbia Britânica.
Uma delas chama atenção pela aparência incomum: suas pernas são cobertas por longos espinhos, os olhos são vermelhos e sua boca é triangular com três lábios. Batizada de Callipallene pilosuspedes, ainda conta com apêndices que funcionam como uma espécie de ferramenta de higiene, usados pelo animal para limpar as próprias pernas.
Já a segunda espécie, chamada de Tanystylum kiixin, lembra um monstro do pântano. Ao contrário da “prima”, ela possui pernas mais curtas e têm membros muito menores, o que parece limitar sua capacidade de autolimpeza. Prova disso é que os 82 indivíduos encontrados pelo estudo estavam cobertos por sujeira, detritos e parasitas.

Mas não há motivo para temer as criaturas: a de olhos vermelhos tem apenas cerca de 8 milímetros, e a outra é ainda menor. Além disso, não há evidências de que elas vivam além do Mar de Salish. Segundo os pesquisadores, trata-se da primeira vez em quase um século que uma aranha-do-mar é descrita na região.
Para chegar às novas espécies, pesquisadores coletaram mais de 150 espécimes de aranhas-do-mar em até 18 metros de profundidade no Mar Salish. Após examinarem as características físicas dos animais e analisarem seu DNA, eles determinaram que as criaturas correspondiam a cinco espécies de aranhas-do-mar de águas rasas – duas das quais nunca haviam sido descritas.
“Para entender como os invertebrados marinhos estão sendo afetados por fatores como as mudanças climáticas e como podemos proteger melhor esses elementos essenciais do ecossistema, precisamos ser capazes de identificá-los”, afirmou o autor principal, Cormac Toler-Scott, em um comunicado.
Conhecendo as aranhas-do-mar
As aranhas-do-mar pertencem a uma linhagem antiga que surgiu há cerca de 500 milhões de anos. Elas são parentes das aranhas, dos escorpiões e dos caranguejos-ferradura, mas, ao contrário dos exemplos, são totalmente marinhas. Até hoje, apenas cerca de 1.400 espécies de aranhas marinhas foram documentadas pela ciência.
O curioso é que, mesmo para os padrões dos artrópodes, sua aparência costuma ser bem peculiar. Algumas espécies chegam a ter até 12 patas e seu tamanho varia drasticamente: de menos de um centímetro de comprimento a mais de 70 cm. Justamente por serem pequenas e parecidas entre si, novas aranhas-do-mar podem ser difíceis de identificar.
Além disso, muitas delas, incluindo as recém-descobertas, são transparentes e assumem a cor daquilo que ingeriram. A Tanystylum kiixin, por exemplo, se alimenta de parasitas – o que explica, em parte, a aparência singular.
Outro diferencial é que elas não tecem teias nem devoram suas presas como as aranhas terrestres. No caso dos espécimes encontrados, elas estavam fixados em um hidroide – um animal marinho semelhante a uma planta.
Com mergulhos adicionais planejados, os pesquisadores esperam encontrar mais espécies de aranhas-do-mar no futuro. A descrição completa das novas espécies foi publicada em um artigo na revista Organisms Diversity & Evolution.
