Esses dados não são públicos. A Strima, associação que representa as empresas do setor no Brasil, disse à Super que não entra em detalhes sobre como as marcas mensuram esses dados, já que cada uma tem um método próprio.
O modelo de negócios do streaming é diferente do cinema e da TV convencional. Quando um estúdio lança um filme nos cinemas, a grana vem da bilheteria e, depois, do aluguel digital e da venda dos direitos de exibição (para streamings, canais de TV, companhias aéreas). Diz-se que o investimento compensou quando o filme atinge de duas a três vezes o seu orçamento. É que, além do custo de produção, o estúdio precisa levar em conta o que foi gasto com marketing e também a porcentagem do ingresso que fica com os cinemas e as distribuidoras.
Na TV, o dinheiro vem de publicidade, assinaturas (no caso do cabo) e da venda de conteúdo para outras emissoras. No horário nobre, no qual são exibidas as séries de maior audiência, o comercial custa mais caro.
Por mais que alguns streamings tenham implementado anúncios nos últimos anos, maior parte do dinheiro vem das assinaturas. O que importa, então, não é o desempenho individual de uma produção – mas sim criar um catálogo atraente para os clientes.
Mas é claro: um hit como Stranger Things traz muito mais assinantes do que uma série obscura, que ninguém comenta. Como medir, então, o peso dela no faturamento da plataforma?
Os dados de audiência do streaming são, em sua maioria, sigilosos. A Netflix, líder do mercado, é quem melhor divulga informações do tipo. A empresa publica relatórios semestrais (que, a partir de 2027, serão anuais) sobre as produções que atingiram, no mínimo, 100 mil visualizações.
O número de visualizações é obtido pela divisão entre o número total de horas assistidas e a duração do filme ou da série. Exemplo: no relatório de janeiro a junho de 2026, a quinta temporada de Stranger Things, que estreou em 2025 com 10h24min de duração, acumulou 578,4 milhões de horas assistidas. No total, então, teve 55,6 milhões de views no primeiro semestre deste ano.
Esses números, porém, não ajudam a entender quanto a série, sozinha, rendeu de lucro à Netflix. Para isso, seria preciso considerar a metodologia de desempenho completa da empresa, mantida em segredo.
Mas existem algumas pistas. Em 2021, uma reportagem da Bloomberg teve acesso a documentos internos da Netflix e descobriu uma métrica chamada AVS (“participação de visualização ajustada”), que não só avalia o número absoluto de views mas também os qualifica. Clientes novos ou que usam o streaming com menos frequência são vistos como mais valiosos, pois isso sugere que certos programas os motivam a não cancelar a assinatura.
A primeira temporada de Round 6, por exemplo, alcançou uma pontuação de 353 AVS – o que, segundo o documento, gerou um valor para a empresa 42 vezes maior que seu orçamento (US$ 21,4 milhões comparado a US$ 900 milhões).
“Um AVS superior a 9 ou 10 já é considerado alto.” diz a reportagem. Não dá para saber, porém, quais são todos os dados levados em conta para esse cálculo. O AVS segue como métrica interna da Netflix, e cada streaming tem a sua maneira de estimar o retorno de uma obra.
Pergunta de Ágata de Souza, Natal (RN).
