De tempos em tempos, internautas voltam a viralizar vídeos de um animal pequeno, mas destemido. O texugo-do-mel tem fama de peitar leões, leopardos e até hienas, mesmo pesando uma fração de seus predadores. O curioso é que, graças à sua pele grossa, ele sobrevive à maioria dos ataques – ainda que não seja invencível. Com alguma frequência, o animal carismático viraliza nas redes. Recentemente, o assunto voltou a ficar em alta quando o presidente Lula (PT) foi comparado ao animal.
Os ratéis, como também são chamados, são parentes de doninhas, fuinhas, gambás, lontras, furões e texugos. Seu nome é uma homenagem à predileção desses animais pelo mel e, principalmente, às larvas e os ovos que estão dentro dos favos e dos ninhos de abelha. No geral, eles comem de tudo, desde raízes, bagas e frutas até insetos, aves e mamíferos.
Na maioria das vezes caçam seu próprio alimento, mas podem ser oportunistas. Nesses casos, eles roubam caças de outros animais e se alimentam de carcaças encontradas. Seus dentes afiados, garras dianteiras longas e estrutura robusta permitem que arranquem a carne dos ossos com facilidade.
Normalmente, animais com reputação de serem destemidos ou ferozes são vistos como “pouco espertos”. Os texugos-do-mel, no entanto, quebram esse padrão. Eles estão entre o seleto grupo de animais capazes de usar objetos para resolver problemas ou alcançar objetivos. Há registros deles usando gravetos, pedras, toras de madeira e montes de lama para escalar obstáculos, construir escadas e até escapar de centros de reabilitação.
Essas habilidades têm a ver com outra característica. Os texugos-do-mel têm uma das peles mais grossas do mundo, atrás apenas dos gigantescos tubarões-baleia, baleias-cachalotes, hipopótamos, elefantes e rinocerontes. A diferença, claro, é o tamanho: os texugos-do-mel mal passam dos 1 metro de comprimento e 30 cm de altura.
Essa pele grossa também é muito elástica e funciona como uma roupa larga, muito maior que o corpo do ratel. Isso melhora a habilidade de mobilidade, essencial para fugir e se defender de flechas, picadas de abelha e os dentes afiados de predadores, incluindo cobras venenosas.
Essa adaptação ainda vêm com outra vantagem: a de escapar das garras de um predador. Quando um predador morde ou tenta agarrá-lo, o texugo-do-mel consegue se contorcer e se libertar da própria pele, deixando o predador apenas com a camada mais superficial e flexível da pele. Ao mesmo tempo, pode se virar e golpear o inimigo com suas garras. Pequenininho, mas valentão.
Um fato impressionante, aliás, é que até 25% da dieta do texugo-do-mel é composta por cobras venenosas. Ou seja, não é surpresa que tenham desenvolvido alguma proteção natural contra picadas venenosas e consigam enfrentar (e até sobreviver) a ataques.
No entanto, é improvável que alguém morando no Brasil tenha a chance de ver qualquer uma dessas cenas de perto. Os ratéis não existem de forma nativa no país, sendo encontrados apenas em partes da África subsaariana, da Arábia Saudita, do Irã e do oeste da Ásia. Apesar disso, são capazes de se adaptar a uma variedade de condições, desde florestas tropicais quentes até montanhas.
Isso porque, graças a suas garras, podem cavar tocas para descansar quase diariamente e em qualquer lugar – no chão, no tronco de uma árvore ou até mesmo em cupinzeiros. Se necessário, podem cavar um buraco para se esconder em questão de minutos ou para capturar presas no subsolo.
