Você com certeza já viu algum gato andando no telhado, em cima dos móveis ou escalando uma árvore. É provável, também, que já tenha ouvido de bichanos que sobreviveram a quedas altíssimas. Não é à toa que eles ganharam a fama de ter sete vidas: segundo veterinários, a habilidade é uma questão simples de física, anatomia e fisiologia.
Chamada de síndrome do gato paraquedista, a designação é usada para descrever o conjunto de lesões sofridas pelos gatos após uma queda de dois ou mais andares de um edifício – o equivalente a uma altura superior a oito metros. E, por mais estranho que pareça, quanto maior a queda, menores tendem a ser essas lesões.
Entenda
Os mamíferos como um todo têm um sistema de orientação dentro do ouvido chamado vestibular. O mecanismo é encarregado de dar início ao reflexo de endireitamento: qualquer aumento de pressão na região vestibular é sinal que o corpo não está na posição correta. Assim que os gatos começam a cair, o aparelho entra em ação.
Rapidamente, esse mecanismo identifica qual é a posição do corpo em relação ao solo e faz com que o animal rotacione a cabeça, seguida pelo tronco e as patas traseiras, até que fique de barriga para baixo – mesmo que tenha caído de costas. Esse tipo de rotação é possível graças à coluna vertebral extremamente flexível dos felinos, os ombros não fixos ao esqueleto principal e a ausência de clavícula.
Uma vez posicionado com as quatro patas voltadas para o chão, o gato estica as pernas e abre o corpo horizontalmente, como um pequeno paraquedas. A postura serve como um tipo de planador, diminuindo a velocidade com que o gato chega ao chão e elevando a resistência do corpo com o ar – que funciona como um “freio invisível”.
Assim que finalmente aterrissa, o impacto não é tão grande, graças a seu tamanho pequeno e ossos leves. O peso é um dos fatores que determina a força do impacto – quanto mais pesado for o corpo que cai, menores serão as chances de sobrevivência. Em queda livre, gatos alcançam até 100 km/h – metade da velocidade do corpo humano na mesma situação.
Os membros do gato tendem a distribuir a força do impacto pelo tórax e pelo abdômen. Não à toa, as lesões que de fato acontecem são exatamente nessas áreas.
A complexidade de cada etapa também explica por que as quedas de lugares mais altos resultam em menos lesões: em quedas muito curtas, o gato não tem tempo suficiente para se reposicionar e amortecer o impacto. Já em quedas mais longas, ele tem tempo de acionar o reflexo de endireitamento e sobreviver sem grandes ferimentos.
Síndrome do gato paraquedista
Um estudo realizado em 1987 analisou casos de 132 gatos que caíram de grandes alturas e foram levados para uma clínica veterinária em Nova York. Os cientistas observaram que 90% dos animais sobreviveram e apenas 37% precisaram de atendimento de emergência para continuar vivos.
A síndrome do gato paraquedista é o conjunto de lesões físicas sofridas por felinos após quedas de locais altos – não o mecanismo de endireitamento em si. Segundo pesquisas, as lesões estão diretamente relacionadas a fatores como a idade, comportamento animal e comorbidades prévias do gato.
Apesar do reflexo de endireitamento proteger os bichanos nas quedas, é importante previni-las para evitar o sofrimento dos gatos. Se você mora em apartamento, instale telas de proteção em todas as janelas antes de adotar um gatinho.
