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HomeCiência de VerdadeQual a diferença entre lesma, caracol e caramujo?

Qual a diferença entre lesma, caracol e caramujo?

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Lesmas, caracóis e caramujos: embora frequentemente confundidos, esses fascinantes moluscos gastrópodes possuem distinções cruciais. A principal diferença entre eles reside na presença ou ausência de uma concha externa robusta, um detalhe que define sua classificação e estilo de vida. A imagem clássica de um caramujo com sua concha espiralada é um bom ponto de partida para entender essas espécies.

Todos pertencem à mesma classe dos gastrópodes, mas a lesma se destaca por não possuir uma concha externa visível ou ter uma estrutura vestigial, muitas vezes interna. Elas também podem habitar tanto ambientes terrestres quanto marinhos.

Já os caracóis e caramujos são caracterizados por suas conchas protetoras. Na linguagem popular brasileira, caracol é usualmente associado a espécies terrestres, enquanto caramujo refere-se mais comumente aos gastrópodes aquáticos, sejam de água doce ou salgada. Cientificamente, essa separação não é bem assim.

Juntos, esses animais somam cerca de 75 mil espécies, com fósseis que datam de 500 milhões de anos. O biólogo Luiz Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da USP, autor de “Land and Freshwater Molluscs of Brazil”, aponta que existem entre 30 e 40 famílias de lesmas, contra cerca de 400 famílias de caramujos e caracóis.

Vida e anatomia dos gastrópodes

Apesar da aparente simplicidade, esses moluscos apresentam uma anatomia complexa. Lesmas e caracóis terrestres compartilham uma estrutura corporal básica: cabeça, pé e massa visceral. Nessas espécies terrestres, a cabeça possui quatro tentáculos retráteis, dois para visão e dois para tato e olfato – uma configuração que não se repete em todos os gastrópodes: muitos caramujos marinhos e de água doce têm apenas um par de tentáculos, com os olhos localizados na base deles, e não no topo de hastes retráteis como nos caracóis terrestres

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A concha dos caracóis e caramujos, que nasce como uma protoconcha, é formada por três camadas secretadas por uma glândula no manto: o perióstraco (externo, protetor, feito de conquiolina), a camada prismática (intermediária, de carbonato de cálcio) e a camada nacarada, ou nácar (interna, responsável pelo reparo da concha).

A respiração varia bastante entre os grupos. As espécies terrestres possuem um pulmão e trocam gases por um pneumóstoma lateral, além de absorverem oxigênio pela pele fina. Já entre as aquáticas, a solução respiratória depende do grupo: a maioria dos caramujos marinhos e de água doce respira por brânquias, mas alguns gastrópodes de água doce – como os caramujos do gênero Biomphalaria, hospedeiros do parasita da esquistossomose, mencionados mais adiante – também desenvolveram pulmão, subindo à superfície para respirar ar atmosférico.

Muitos gastrópodes terrestres são hermafroditas, ou seja, possuem órgãos reprodutores masculinos e femininos, mas necessitam de um parceiro para a fecundação cruzada. Para se alimentar, utilizam a rádula, um órgão semelhante a uma língua com “dentes” para raspar e cortar o alimento, que pode variar de plantas a matéria orgânica e até outros moluscos.

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Como lesmas, caracóis e caramujos se movem?

Para se mover, lesmas e caracóis contam com a ajuda de uma espécie de muco, secretado por uma glândula localizada na barriga. Essa substância gosmenta é importante porque ajuda no deslizamento do animal. Eles se movem fazendo movimentos ondulatórios, como as cobras e as minhocas. Os animais menores (de até 1 milímetro de comprimento) também contam com a ajuda dos milhares de cílios localizados na barriga, que funcionam como uma sucessão de pezinhos.

Para se movimentar, o primeiro passo é levantar a cabeça em um ângulo pequeno, de 20 a 30 graus do chão. Em seguida, o bicho estica o resto do corpo, e as partes que se desprendem do chão vão se alternando ao longo do corpo da lesma, até começar tudo de novo

Sem nojinho: eles são importantes

O papel desses moluscos no ecossistema é vital, e sua ausência pode causar desequilíbrios ambientais. Contudo, alguns tipos de caramujos e caracóis carregam riscos à saúde humana. Por exemplo, alguns caramujos da família Planorbidae são hospedeiros do parasita causador da esquistossomose, uma doença grave. O

Outro exemplo é o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica), introduzido no Brasil como alternativa ao escargot, cujo muco pode transmitir dois nematódeos diferentes do gênero Angiostrongylus: A. cantonensis, que causa uma forma neurológica da doença (meningite eosinofílica), e A. costaricensis, associado a uma forma abdominal, com sintomas intestinais.

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No entanto, nem todos os gastrópodes são perigosos; o escargot, um caracol terrestre da família Helicidae, é uma iguaria refinada na culinária global.

Você já ouviu falar que esses animais “derretem” ou morrem com sal? Essa prática torturante expõe a pele fina e permeável dos gastrópodes ao contato direto com o sal, criando um meio externo com concentração muito mais alta de sal do que a existente dentro do corpo do animal. Por osmose, a água tende a se mover sempre do meio menos concentrado para o mais concentrado – por isso, ela sai de dentro do corpo do bicho em direção ao ambiente externo, fazendo com que ele perca muito líquido e morra de desidratação.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Yuri Vasconcelos para a Mundo Estranho em 2008. Agora, foi atualizado com o auxílio de inteligência artificial e revisado por jornalistas da Super.

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