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Vozes da Comunidade: Willian Ferreira fala sobre BPC, emprego e casa própria para PcDs

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Em entrevista ao Vozes da Comunidade, secretário defendeu o uso do Auxílio Inclusão para destravar o sonho da casa própria e garantir autonomia financeira a pessoas com deficiência no Distrito Federal

Para além das barreiras arquitetônicas das calçadas e do transporte público, o principal obstáculo enfrentado pela população com deficiência no Distrito Federal é a desinformação. O relato foi feito pelo secretário da Pessoa com Deficiência do DF, Willian Ferreira, em entrevista nesta sexta-feira (18) ao programa Vozes da Comunidade, sob a apresentação do jornalista Toni Duarte.

Advogado, Willian Ferreira  abriu a entrevista destacando como sua vivência pessoal orienta a gestão à frente da pasta. “Desde os 11 anos de idade tenho  baixa visão de  um olho por consequência de um acidente na infância, hoje eu tenho 37 anos, vivencio na pele o dia a dia de uma pessoa com deficiência”, relatou.

Para ele, a falta de orientação impede que milhares de cidadãos conquistem a independência financeira e o acesso a direitos básicos, como a moradia.

O nó da habitação e a virada pelo trabalho

Durante a sabatina, o gestor detalhou um dilema recorrente na política habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab): pessoas que passam anos na fila de espera, mas têm o financiamento imobiliário negado pelos bancos por serem beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

“Eu deixei essa pessoa lá por 5 ou 6 anos nessa fila (…), só que quando chegou na instituição financeira, a instituição financeira fala o seguinte: ‘Eu não libero financiamento para quem é beneficiário do Benefício de Prestação Continuada’. Aí eu faço uma pergunta: adiantou o que eu deixar essa pessoa na fila cinco anos? Absolutamente nada”, destacou o secretário.

A solução apontada pela secretaria passa pela conscientização sobre o mercado de trabalho. O secretário explicou que, ao conseguir um emprego formal com carteira assinada de até dois salários-mínimos, o cidadão pode converter o BPC no Auxílio Inclusão — um incentivo do governo correspondente a meio salário-mínimo pago por até dois anos.

“Ele passa a trabalhar, ganhar seus dois salários-mínimos (…) e ainda recebe esse Auxílio Inclusão por até dois anos, como se fosse um incentivo do Estado falando: ‘Olha, você tem até dois anos para se adaptar ao mercado de trabalho’. Aí sim, nesse caso, ele consegue passar no crivo de um financiamento de uma instituição financeira”, afirmou.

Foco em Ceilândia e parcerias de qualificação

A busca por oportunidades de trabalho reflete a demanda registrada nos bancos de dados da secretaria, que contabiliza cerca de 118 mil atendimentos no Cadastro da Pessoa com Deficiência. Segundo o titular da pasta, Ceilândia desponta como a Região Administrativa com maior volume de solicitações do DF.

“Ceilândia [é a região com maior demanda]. Tanto é que quando a gente faz as ações itinerantes (…), Ceilândia é o local que a gente mais entrega as carteiras de identificação e é o local que tem mais atendimento”, apontou.

Para garantir que a inserção profissional resulte em permanência nas vagas, a secretaria reformulou sua diretoria de atendimento e firmou parcerias estratégicas com entidades como o Senac e o Ministério Público do Trabalho (MPT), oferecendo capacitação rápida sob demanda para os candidatos selecionados por empresas locais.

Acompanhe ao Vozes da Comunidade na íntegra

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