Jogos de tiro são obviamente violentos, mas não assustadores: o combate é tão naturalizado, e o enredo geralmente tão simples, que a violência adquire um aspecto banal, cartunesco. Esse não é o caso de Call of Duty: Modern Warfare 4, desenvolvido pela produtora americana Infinity Ward e lançado nesta sexta-feira (23) pela Activision (que em 2022 foi comprada pela Microsoft por US$ 68,7 bilhões, no maior negócio da história da indústria de games).
CoD: MW4 começa na Coreia do Norte, dominada por um regime ditatorial que oprime sua população e resolve invadir a Coreia do Sul. Em alguns momentos, você joga como um soldado norte-coreano – que é levado, numa sequência perturbadora, a participar da execução de um civil. Você pode se recusar, mas isso não interrompe a sanha assassina do Estado, expressa de formas ainda mais sinistras: em outra cena, uma criança é convencida a entregar o próprio pai, um dissidente.
MW4 é mais soturno que a média dos shooters. Isso se deve também à presença de um grande vilão, interpretado com maestria pelo ator dinamarquês Mads Mikkelsen. O resultado é uma campanha acima da média, que tem passagens memoráveis e está entre as melhores da franquia Call of Duty. Ela dura aproximadamente oito horas (considerando apenas os objetivos principais), o que é razoável e corrige a principal fraqueza de Modern Warfare 3, lançado em 2023 e criticado por ter menos de 5h.

Os gráficos são bons, com alguns momentos que se destacam pelo nível de detalhes (veja exemplo acima). Testamos o jogo com uma placa de vídeo RTX 5080, suficiente para rodar com bastante folga todas as configurações gráficas no máximo, em resolução 4K. Porém, o jogo ainda não oferece o recurso neural rendering, que promete revolucionar o visual dos games e está presente no pacote de tecnologias DLSS 5. Quando a Nvidia o anunciou, Modern Warfare 4 (que, por enquanto, só tem o DLSS 4.5) já estava na reta final de desenvolvimento.
MW4 tem muitas situações escuras, de penumbra, e outros momentos nos quais você não consegue ver direito onde os inimigos estão, o que torna o combate mais autêntico. O som chama a atenção pelo realismo acima da média: você ouve os tiros ecoando pelo ambiente, o que ajuda a saber de onde eles estão vindo.

Além da configuração padrão de áudio, com a qual jogamos, Modern Warfare 4 também oferece um “modo aprimorado”, que usa a head related transfer function (HRTF): um escaneamento das suas orelhas, feito tirando fotos delas com o celular. A HRTF permite gerar sons espacialmente mais precisos, e também é usada pelo headset Vision Pro, da Apple, e pela tecnologia 360 Reality Audio, da Sony. Em Modern Warfare 4, requer a compra de um plugin adicional, que custa US$ 20.
O game tem diversos modos multiplayer, com destaque para o DMZ, que reúne até 60 pessoas no mesmo combate. Um ponto relevante é que, no PC, é necessário que o Windows esteja com a “inicialização segura” (Secure Boot) habilitada para jogar online. Na minha máquina, que precisei formatar recentemente, não era o caso; por alguma razão, o Windows 11 não tinha ativado o Secure Boot. Foi tranquilo de resolver, com uma rápida visita ao menu de configuração da BIOS.

Por outro lado, houve um bug persistente relacionado à Steam. Em diversas vezes, o jogo só começava a ser executado se eu clicasse o botão “Parar” dentro da Steam (como se quisesse encerrá-lo). E mais tarde, ao terminar de jogar e fechá-lo, ele constava na Steam como se continuasse aberto, em execução. Várias pessoas têm relatado problemas similares. Tomara que os desenvolvedores consertem isso logo.
Mas esse e outros bugs não têm sido um obstáculo para MW4, que teve um lançamento forte: ultrapassou 200 mil jogadores simultâneos na Steam durante este final de semana. É um ótimo jogo – e merece um lugar entre os melhores Call of Duty.
Call of Duty: Modern Warfare 4 está disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2. O preço varia de R$ 299 (PC) a R$ 349,90 (consoles).
