A escola onde Aristóteles deu aula para Alexandre, o Grande há mais de 2.300 anos foi descoberta na antiga cidade macedônica de Mieza, atual norte da Grécia. De acordo com o Ministério da Cultura da Grécia, escavações revelaram um complexo arquitetônico equipado com carteiras de pedras, dois salões, uma arena esportiva, um estádio e uma varanda coberta.
Além da estrutura, o local também guardava vestígios do cotidiano de seus antigos alunos: moedas, cerâmicas e quatro estiletes usados para escrever. Entre as ruínas da escola, que datam do século quatro a.C., havia pisos de mosaico e colunas, além de salões com pedestais elevados onde originalmente teriam sido colocados quase uma dúzia de sofás.
Para especialistas, a decoração e a arquitetura da escola se assemelham às do palácio real macedônio em Aigai (na atual Vergina), onde viveram Alexandre e seu pai, o rei Filipe II. A pompa do lugar também seria um indicador de quem frequentava o espaço: os filhos dos mais nobres macedônios. Aparentemente, Filipe II mandou construir a escola especialmente para recebê-los.

O mestre e seu discípulo
As escolas do mundo grego antigo, chamadas de “ginásios”, reuniam disciplinas variadas a fim de que a formação de seus alunos fosse a mais completa possível. Ensinar um futuro rei, porém, era uma responsabilidade de outro nível. Filipe II foi à procura daquele que considerava “o mais sábio e ilustre dos filósofos”, Aristóteles, para ensinar o então príncipe Alexandre – que, na época, tinha entre 13 e 16 anos.
De acordo com a “Vida de Alexandre”, do filósofo Plutarco (c. 46 – 120 d.C.), o rei não poupou esforços para trazer o filósofo até a Macedônia. “[Filipe II] reergueu das ruínas a cidade de Estagira, pátria de Aristóteles, que ele próprio destruíra, e repovoou-a com os cidadãos exilados ou caídos em escravidão”, observa ele. “E reservou ao mestre e ao aluno, para que lá se dedicassem ao estudo, o ninfeu de Mieza.”
Por três anos, então, Aristóteles foi o responsável por instruir Alexandre. Em suas aulas, ensinou-o de tudo um pouco: a natureza, a lógica, os animais, a sociedade, a matemática, a política, a poesia, a física e a ética. Nesse período, entre 343 a.C. até 336 a.C., o filósofo grego já tinha mais de 40 anos de idade e havia passado grande parte da vida como discípulo de Platão, em Atenas.
Com o assassinato de Filipe II, em em 336 a.C., Alexandre assumiu o trono da Macedônia aos 20 anos. Mesmo depois de partirem caminhos, o rei levou consigo alguns dos ensinamentos de Aristóteles – notoriamente, seu amor profundo pela Ilíada, de Homero, foi influência direta do filósofo, que o apresentou à obra.
Em suas campanhas militares, que eventualmente formaram um dos maiores impérios da história antiga, Alexandre sempre levou consigo uma cópia da obra.
Mais provas
Plutarco menciona em sua biografia de Alexandre, o Grande, que o príncipe e Aristóteles tinham suas aulas na cidade de Mieza. Por isso, Angeliki Kottaridi – arqueóloga e diretora de antiguidades do Ministério da Cultura da Grécia, que liderou as escavações no local – acredita que o complexo arqueológico encontrado é a escola onde Alexandre, o Grande, estudou.

A distância do local também bate com os relatos de Plutarco. Mieza fica no norte da Grécia, a cerca de 43 quilômetros de Pela, a antiga capital do Reino da Macedônia. Naquela época, assassinatos políticos eram relativamente comuns, e manter o príncipe longe do centro do poder era uma forma de protegê-lo. Caso o rei fosse morto, Alexandre teria mais chances de escapar ileso (o que, de fato, viria a acontecer).
