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Tubarões-duende raríssimos são flagrados pela primeira vez em seu habitat natural; veja vídeo

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Tubarões-duende raríssimos são flagrados pela primeira vez em seu habitat natural; veja vídeo

Nas profundezas do Oceano Pacífico, a mais de um quilômetro abaixo da superfície, um veículo operado remotamente encontrou uma criatura que parecia saída de um filme de ficção científica.

O animal tinha cerca de três metros de comprimento, pele em tons de rosa e cinza, um focinho longo e pontudo e uma mandíbula capaz de saltar para fora da boca em uma fração de segundo para capturar suas presas.

O encontro aconteceu em julho de 2019, perto da Ilha Jarvis, mas só anos depois os cientistas perceberam que aquelas imagens mostravam um tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) vivo em seu habitat natural. Era a primeira vez que isso era registrado.

A descoberta, publicada na revista científica Journal of Fish Biology, reúne esse vídeo e um segundo flagrante, feito em 2024 perto da Fossa de Tonga. Juntos, eles revelam novos detalhes sobre um dos tubarões mais misteriosos do planeta.

Até então, tudo o que os pesquisadores sabiam sobre tubarões-duende vinha principalmente de animais capturados por acidente em equipamentos de pesca. Eles eram levados até a superfície, onde podiam ser filmados ou estudados por pouco tempo antes de morrer.

“Eles cativaram a imaginação de tantas pessoas, mas nunca os vimos realmente vivos”, disse Alan Jamieson, diretor do Centro de Pesquisa em Águas Profundas Minderoo-UWA e um dos autores do estudo, ao Guardian. “Na verdade, não sabemos praticamente nada sobre eles.”

Um “fóssil vivo”

O tubarão-duende foi descrito pela primeira vez em 1898, depois que um indivíduo foi encontrado em águas profundas próximas ao Japão.

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Ele costuma ser chamado de “fóssil vivo” porque é o único representante atual de uma linhagem muito antiga de tubarões, que surgiu há cerca de 125 milhões de anos. Isso significa que seus parentes já existiam quando os dinossauros ainda caminhavam pela Terra.

A aparência incomum também ajudou a transformar a espécie em uma das mais famosas entre os animais das profundezas. Seu nome popular vem de criaturas do folclore japonês conhecidas pelo nariz comprido e pelo rosto avermelhado.

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O focinho exagerado, porém, não está ali por acaso. No oceano profundo, onde quase não chega luz, encontrar alimento é um desafio. Por isso, muitos animais desenvolveram adaptações especiais para sobreviver. No caso do tubarão-duende, a principal delas está na boca.

Quando está nadando normalmente, sua mandíbula fica retraída e o animal parece ter apenas uma cabeça alongada. Mas, ao detectar uma presa, ele consegue projetar a mandíbula para frente como um estilingue, lançando os dentes para fora da boca.

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O movimento é considerado o mais rápido já registrado entre tubarões: a mandíbula avança a mais de 3 metros por segundo. Isso permite capturar peixes e outros animais mesmo que o tubarão-duende seja um nadador relativamente lento.

A descoberta

O primeiro vídeo analisado pelos pesquisadores foi feito em 2019 durante uma expedição do navio E/V Nautilus, da Ocean Exploration Trust.

A equipe explorava ecossistemas de águas profundas perto da Ilha Jarvis usando o Hercules, um veículo operado remotamente equipado com câmeras. Durante um mergulho em um monte submarino (uma espécie de montanha que fica completamente abaixo do oceano), o equipamento encontrou o tubarão-duende.

As imagens ficaram arquivadas por anos até chamarem a atenção dos pesquisadores. Em 2025, Aaron Judah, doutorando da Universidade do Havaí em Mānoa e principal autor do estudo, ouviu de colegas que poderia haver um registro da espécie no material da expedição.

“Fiquei chocado ao ouvir isso, pois não se sabia da existência dessa espécie no Pacífico Central”, afirmou Judah em comunicado.

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Ao revisar os arquivos, ele confirmou a descoberta. O vídeo mostrava um macho de aproximadamente 3,4 metros nadando a 1.237 metros de profundidade. “Ver o mais icônico de todos os tubarões de águas profundas vivo e com aparência saudável em seu habitat natural é uma honra única”, acrescentou.

O outro registro aconteceu em 2024, durante uma expedição à Fossa de Tonga, uma das regiões mais profundas do planeta. Desta vez, pesquisadores a bordo do navio R/V Dagon usaram uma câmera com isca presa a um equipamento subaquático para registrar os animais que vivem na região. Foi assim que encontraram outro tubarão-duende.

As imagens indicam que esse indivíduo estava a quase 2 mil metros de profundidade, cerca de 700 metros além do limite conhecido anteriormente para a espécie. Confira:

O registro ampliou não apenas o alcance do tubarão-duende, mas também o recorde de profundidade de todo o grupo dos lamniformes, ordem de tubarões que inclui espécies como o tubarão-branco e o tubarão-mako.

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Os pesquisadores acreditam que o animal filmado em Tonga era uma fêmea, porque não identificaram estruturas reprodutivas presentes nos machos. “O tubarão-duende é um desses animais carismáticos das profundezas que eu nunca pensei que veríamos vivos, e então vê-lo foi incrível, mas saber que colegas no Havaí também viram um foi simplesmente inacreditável”, disse Jamieson em comunicado.

Além de revelar imagens inéditas de um animal raro, os vídeos ajudam os cientistas a entender melhor onde os tubarões-duende vivem.

Antes, a espécie era conhecida principalmente em algumas regiões próximas ao Japão, Austrália, costa oeste dos Estados Unidos e partes dos oceanos Atlântico e Índico. Os novos registros mostram que sua distribuição pelo Pacífico é muito maior do que se imaginava.

“É um caso clássico de um animal de águas profundas que tem uma abundância muito baixa, mas uma distribuição geográfica absolutamente enorme”, afirmou Jamieson.

Essa informação também pode ajudar na conservação da espécie. Os registros confirmam que o tubarão-duende utiliza ambientes como montes submarinos e áreas próximas a fossas oceânicas, regiões que podem ser afetadas por atividades humanas como pesca em grandes profundidades e mineração no fundo do mar.

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Mesmo vivendo longe dos nossos olhos, esses animais podem sofrer os impactos das mudanças que acontecem no oceano.

“Novas descobertas como esta demonstram que ainda há muito a explorar em nosso lar nas profundezas do oceano”, afirmou Judah. “Dado o recente aumento da distribuição geográfica do tubarão-duende, essa espécie pode ser incluída na gestão regional e na lista de biodiversidade de uma nação, enquanto antes nem sabíamos que ela existia.”

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Casa Branca proíbe uso de nova IA da Anthropic por estrangeiros; empresa tira bot do ar

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Casa Branca proíbe uso de nova IA da Anthropic por estrangeiros; empresa tira bot do ar

A empresa americana Anthropic decidiu tirar do ar o Fable 5 e o Mythos 5, os algoritmos mais avançados do seu serviço de IA Claude, em resposta a uma ordem da Casa Branca – a qual determinou que esses bots não poderiam ser usados por cidadãos de outros países (incluindo estrangeiros que estejam dentro dos EUA). Segundo a Anthropic, que recebeu o comunicado oficial às 17h21 de sexta-feira, trata-se de um documento relativo à segurança nacional dos EUA, mas a Casa Branca “não forneceu detalhes específicos” sobre qual seria o problema com os novos algoritmos.   

O Mythos 5 é considerado perigoso, pois consegue encontrar grande quantidade de brechas de segurança em outros softwares – em um teste feito no Firefox com a permissão da Fundação Mozilla, que desenvolve esse navegador, a IA teria detectado nada menos do que 271 falhas de segurança. Por isso, a Anthropic optou por não liberar esse algoritmo ao público; ele só pode ser usado por instituições e pesquisadores previamente aprovados pela empresa.  

O Fable 5 é a versão pública do Mythos, e supostamente contém mecanismos de segurança que dificultam ou impedem seu uso em ciberataques. Porém, a Anthropic acredita que o governo dos EUA tenha tomado conhecimento de um método que permite driblar os guardrails (limites de segurança) desse algoritmo, possibilitando usos nocivos. 

Segundo o Wall Street Journal, o tal método foi descoberto por engenheiros da Amazon, que teriam alertado as autoridades. De acordo com o site americano Semafor, que cita uma fonte da Casa Branca, também houve outro fator envolvido: a suspeita de que um grupo chinês teria tido acesso ao Mythos. Como seria difícil verificar a nacionalidade de cada usuário do Fable e do Mythos, a Anthropic decidiu simplesmente tirá-los do ar. 

O uso de IA em ciberataques é um problema real, e o Mythos realmente parece ser mais poderoso do que os modelos anteriores. Porém, vale lembrar que a Anthropic também é conhecida por empregar o medo como ferramenta de marketing. Em fevereiro de 2019, ela disse que não iria liberar ao público o algoritmo GPT-2 devido a suas “preocupações com usos maliciosos”  do bot. Depois, fez a mesma alegação para restringir o acesso ao GPT-3. Mas aí, em novembro de 2022, lançou o ChatGPT – com um algoritmo mais poderoso, o GPT-3.5.

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Um mês com o MacBook Neo

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Um mês com o MacBook Neo

Q

Quando a IBM apresentou ao mundo o Personal Computer (PC), em agosto de 1981, um ponto chamou a atenção: ao contrário das outras máquinas da empresa, desenhadas em torno de chips e tecnologias próprias, ele usava peças comuns, livremente disponíveis no mercado. A “Big Blue” fez isso para acelerar o desenvolvimento do PC, que levou apenas um ano.

Mas ela não era bobinha, e tomou uma medida para evitar que seu produto fosse clonado: o software que inicializava o PC, chamado de BIOS (basic input/output system) era exclusivo da IBM. Só que essa barreira não durou muito. Em novembro de 1982, a startup norte-americana Compaq revelou seu primeiro computador, o Portable. Ele era 100% compatível com o IBM-PC (a Compaq, num feito de engenharia que entrou para a História, conseguiu criar do zero um BIOS praticamente igual ao da IBM) e tinha a vantagem de ser transportável, embora não facilmente – parecia uma maleta, e pesava 13 kg.

Foi um sucesso. Logo outras empresas repetiram a proeza da Compaq e começaram a lançar clones cada vez mais baratos do IBM PC. Isso selou o destino da Apple. Ela, que até então liderava o mercado de computadores pessoais, foi empurrada para uma posição minoritária. É por essa sequência de fatos que, hoje, 9 em cada 10 computadores são PCs.

O MacBook Neo é o primeiro desafio real, em 40 anos, a essa supremacia – porque custa US$ 599, 40% a menos do que os outros MacBooks. Agora a Apple oferece um produto capaz de competir em preço com os notebooks Windows. O Neo teve a estreia mais bem-sucedida da história dos Macs, e vendeu tanto nos EUA que esgotou – em abril, quem comprasse um precisava aguardar um mês para recebê-lo (enquanto este texto é escrito, no final de maio, a espera é de uma a duas semanas).

No Brasil, como de hábito, a coisa é um pouco diferente. O preço oficial do MacBook Neo, no site da Apple, é R$ 7.299 (ou R$ 6.569 à vista). Ele não é barato. Mas supera com facilidade os notebooks Windows de preço equivalente – que costumam ter corpo de plástico, telas inferiores e processadores Intel ou AMD, que gastam mais energia e fazem a bateria durar bem menos [veja alguns modelos no quadro abaixo]. Já o Neo é de alumínio, tem tela de altíssima resolução e bateria que dura o dobro do tempo [mais sobre isso daqui a pouco].

E a comparação nem considera o preço de mercado do Neo, que é mais baixo. Ele já pode ser encontrado por R$ 5.800 no grande varejo brasileiro; no chamado “mercado cinza”, de importadores independentes, por até R$ 4.500. “Isso [o Neo] obviamente é um choque para toda a indústria”, disse o executivo S.Y. Hsu, co-CEO da fabricante chinesa Asus, em uma conferência com investidores. “Em todo o ecossistema PC, tem havido muitas discussões sobre como competir com esse produto.”

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Não será fácil. Com o MacBook Neo, a Apple explora dois de seus trunfos, integração e escala. Os fabricantes de PCs compram chips da Intel ou da AMD, e pagam à Microsoft para instalar o Windows em suas máquinas. Já a Apple usa CPUs e sistema operacional próprios, o que reduz os custos. E montou uma cadeia produtiva que fabrica cerca de 250 milhões de iPhones por ano – um número astronômico, que nenhuma empresa de PCs conseguiria igualar sozinha (a produção global de computadores, somando todas as marcas, é de 270 milhões por ano).

 

Infográfico detalhado do MacBook Neo desmontado, mostrando seus componentes internos como bateria, trackpad, alto-falantes, CPU e placa-mãe do iPhone 16. A ficha técnica apresenta CPU Apple A18 Pro, 8GB RAM, SSD de 256 ou 512GB, tela de 13 polegadas, peso de 1,2kg e preço. O diagrama do chip A18 Pro destaca P-Cores, E-Cores, GPU, NPU e memórias cache SLC e L2, com descrições de suas funções e especificações técnicas.
Reprodução/Montagem sobre reprodução

Não por acaso, o MacBook Neo usa um chip de iPhone, o A18 Pro [veja no infográfico acima]. É o mesmo processador do iPhone 16 Pro, com uma diferença interessante: no Neo, a GPU (área do chip responsável pelo processamento gráfico) tem cinco núcleos ativos, um a menos do que no iPhone. A Apple não revela o motivo disso, mas tudo indica que se trata de chips “binados” (do inglês binned, “separados”), que apresentaram defeito de fabricação em um dos núcleos da GPU.

A Apple não teria como usá-los no iPhone 16 Pro, e eles foram se acumulando nos depósitos da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que fabrica os processadores da maçã. O MacBook Neo permite aproveitar todo esse estoque de chips a um custo muito baixo.

A prática de recuperar processadores “binados”, e vendê-los com um ou mais núcleos desligados, é bem comum na indústria (Intel e Nvidia também fazem isso). E, no Neo, esse núcleo de GPU a menos não faz muita falta: a máquina tem fôlego de sobra para rodar o macOS e seus programas. Durante o mês em que o testamos, em nenhum momento ele engasgou ou ficou lento.

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E isso mesmo tendo apenas 8 gigabytes de memória RAM. Sim, chegamos ao elefante na sala: o MacBook Neo tem menos RAM do que o mínimo ideal hoje em dia, 16 GB. E ela é soldada na placa-mãe, ou seja, não permite expansão. Conforme você vai abrindo mais programas e abas do navegador, eles ocupam o espaço disponível na memória RAM.

Quando ela fica lotada, o computador começa a usar o swap file, um arquivo no SSD (solid state disk, o componente que armazena os dados do sistema) que atua como uma “memória virtual” – ela é mais lenta, mas evita que o sistema operacional tenha que ir fechando os programas. Todo PC ou Mac funciona assim, desde sempre. A diferença do Neo é que, como ele tem apenas 8 GB, recorre ao swap file com frequência.

Costumo ficar com 15 a 20 abas do navegador abertas, incluindo várias que consomem bastante memória, como Gmail, Google Workspace e WhatsApp Web, enquanto ouço música pelo Spotify, vejo algo no YouTube ou faço reuniões pelo Google Meet. Essa combinação de coisas, mais o consumo de memória do próprio sistema operacional, ocupa de 11 a 14 GB de RAM, bem mais do que o MacBook Neo tem.

Ou seja: durante o mês de teste, ele usou o swap file o tempo inteiro. Você nem percebe quando isso acontece – o macOS continua respondendo com total agilidade –, mas a questão levanta um ponto crucial. A durabilidade da máquina.

Nada é eterno, e isso também vale para os SSDs. Eles têm uma vida útil, expressa em TBW (“terabytes escritos”), a partir da qual começam a falhar, pois suas células de memória não conseguem mais reter carga elétrica. Isso pode acontecer com o MacBook Neo, já que ele fica gravando e regravando dados no swap file sem parar? Para descobrir, monitorei o uso do SSD com o software de diagnóstico DriveDx. Ele apontou que, ao longo de um mês de uso, o Neo escreveu aproximadamente 1 terabyte de dados.

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A Apple não divulga a vida útil dos SSDs presentes nos seus computadores. Mas, para componentes de 256 gigabytes, como o do Neo, ela costuma ser de 150 a 300 TBW. Isso significa que mesmo sob uso intenso, acionando constantemente o swap file, o SSD do Neo irá durar de 12 a 24 anos. E talvez até mais – em fóruns online há relatos de donos de MacBooks que escreveram mais de 800 terabytes em seus SSDs, e eles continuaram funcionando.

Em suma: ter apenas 8 GB de RAM não é um problema para o MacBook Neo. Seria melhor se fossem 16 GB, claro. Mas isso canibalizaria as vendas dos outros notebooks da Apple, e também é uma questão de custo. O mercado atravessa uma forte escassez de memória RAM: quase toda a produção global está indo para datacenters de IA, e o que sobra fica cada vez mais caro.

O fenômeno já levou a aumentos nos preços do PlayStation 5 e do Nintendo Switch 2, bem como dos PCs de diversas marcas, e a Apple não está imune – especula-se que o Neo possa subir US$ 100 até o final do ano.

Ao tirar o Neo da caixa pela primeira vez, salta aos olhos a qualidade de construção: ele é tão sólido e bem-acabado quanto os outros MacBooks. Não parece um “Mac barato”. O teclado e o trackpad são excelentes, e a tela também – tem resolução de 2.408 x 1.506 pixels, com densidade de 219 pixels por polegada (quase 50% a mais do que os laptops Windows de preço equivalente).

Mas não é grande: tem 13 polegadas. Dá para usar numa boa o navegador, editores de textos e planilhas. Mas, em alguns momentos, falta espaço (eu, por exemplo, às vezes preciso abrir dois textos ao mesmo tempo na tela).

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Mudar do PC para o Mac, mesmo se você nunca usou um, é bem tranquilo. Até os principais atalhos de teclado são iguais (com a diferença de que, em vez da tecla Control, você aperta Command). Só não perca tempo tentando usar o “assistente de migração”, um software que a Apple oferece para Windows. Mesmo insistindo bastante, ele não funcionou – aparentemente porque o Windows 11 impedia a execução do Bonjour, um protocolo de rede da Apple. Fiz a migração manualmente, transferindo meus arquivos e logando nas minhas contas. Beleza.

Nos testes, a bateria do Neo sempre durou o mesmo tempo: de 10 a 11 horas. É uma marca excelente (o dobro dos laptops Windows que competem com ele), mas não alcança a autonomia extrema dos MacBooks Air e Pro, que chegam a 16 ou 17 horas. É que, no Neo, a Apple usou uma bateria menor, com capacidade de 36,5 watts-hora (os outros MacBooks, dependendo do tamanho, têm de 53 a 66 Wh). Ao contrário do que se diz por aí, usar o navegador Safari em vez do Chrome não fez muita diferença; os dois gastam a mesma energia.

O que dá diferença é trocar o carregador USB-C que vem com o Neo, que tem apenas 20 W de potência e demora quatro horas para encher a bateria. Você pode usar um mais potente. Conectada a um carregador de 40 W, a máquina carregou em metade do tempo (esse é o limite; se você pluga um carregador acima de 40 W, o Neo simplesmente ignora a energia adicional).

Tabela comparativa de cinco notebooks rivais do MacBook Neo: Lenovo Yoga Slim 7i Gen 9, Dell 14, Samsung Galaxy Book4, Acer Aspire 16 e Vaio FE16, com informações de modelo, preço, hardware, peso, prós e contras.
Divulgação/Montagem sobre reprodução

Isoladamente, o Neo se comporta de modo impecável. Mas, ao conectá-lo a outros dispositivos, tive algumas surpresas. A primeira: com ele plugado a um monitor Full HD (1080p), a imagem ficou ruim, com as letras meio borradas. É que o macOS é otimizado para resoluções mais altas e não roda bem em monitores 1080p. Existe um app, o BetterDisplay, que atenua mas não resolve o problema. A única solução é trocar o monitor por um 4K.

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No mercado brasileiro, uma boa opção é o LG Ultrafine 27US500-W, com tecnologia IPS (in-plane switching, que proporciona bom ângulo de visão) e preço em torno de R$ 1.300. Fora ele você só encontra modelos genéricos, de marcas desconhecidas, ou opções muito mais caras.

Quando está conectado a um monitor externo, o Neo oferece dois modos de vídeo: o “nativo” (em que tudo fica muito pequeno, com ícones e texto quase ilegíveis) e o HiDPI, que tem o problema oposto: os elementos da interface ficam grandes demais.

Consegui resolver entrando em “Acessibilidade”, nas configurações do sistema, e reduzindo um pouco o tamanho do texto e dos ícones. Também diminuí o zoom do Google Chrome para 80%. Ficou bom, embora não impecável: alguns elementos da interface continuaram um pouco maiores do que seria normal. No Windows, nada disso acontece – o sistema reconhece e ajusta tudo sozinho com perfeição.

O Neo também tretou com a minha webcam, uma Logitech C920. Ela é compatível com macOS – e, com o Neo conectado a um monitor 1080p, funcionou perfeitamente. Já com a tela 4K, não: a imagem da webcam ficava toda picotada, e às vezes o macOS travava.

É que o sinal de vídeo 4K já ocupa, sozinho, a maior parte da largura de banda disponível nas portas USB do Neo (que é de 10 Gbps, muito aquém dos 40 Gbps dos MacBooks Air e Pro). Sobra pouca banda para os demais periféricos, como webcam e SSDs externos. Contornei a questão usando a webcam do próprio Neo, que é boa.

Quanto ao teclado, sem problemas. Eu já usava um Logitech MX Keys Mini, que tem as teclas específicas do macOS (Option, Command e Function). Ele é caro, R$ 700, mas há uma opção mais barata – o Logitech K380, que você encontra por R$ 200. Um ponto que não consegui resolver: o macOS lê meu SSD externo, mas não escreve nele.

É que esse dispositivo, que uso com o Windows, está formatado no padrão NTFS, da Microsoft. A saída seria comprar o Paragon NTFS, um software de R$ 180, ou então transferir todos os arquivos para outro lugar e aí formatar o SSD (no padrão exFAT, que PC e Mac aceitam). Acabei deixando pra lá, mesmo porque copiar os dados levaria um tempão (já que, com o Neo conectado ao monitor 4K, sua interface USB fica congestionada e lenta).

Em suma: o Neo é ótimo, mas não é perfeito. Se você vai usar o laptop conectado a monitor, SSD e periféricos externos, talvez seja melhor optar por um MacBook Air ou Pro. Isso também vale para tarefas pesadas, como edição de vídeo, que não são a praia do Neo. Fora isso, ele é uma boa, sim – e parece ter força para, junto com os Googlebooks [leia abaixo], finalmente desafiar o reinado do Windows.

***

Notebook azul-marinho com teclado e tela parcialmente abertos, exibindo um touchpad com reflexos coloridos e botões de função na lateral esquerda do teclado, sobre fundo preto.
Divulgação/Reprodução

Os Googlebooks
Eles serão produzidos por várias empresas, e vão levar o Android para os PCs.

O Android domina os smartphones – e, agora, vai migrar para os computadores. Eles se chamarão Googlebooks, serão produzidos por marcas como Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo e chegarão ao mercado dos EUA nos próximos meses. Terão várias versões, com processadores Intel, Qualcomm ou Mediatek (tanto da arquitetura x86 quanto da ARM).

E virão com uma nova versão do Android, adaptada para funcionar melhor com teclado e mouse. Essa versão, cujo nome provisório é Aluminum OS, trará uma interface parecida à do macOS, com um “dock” reunindo atalhos para os principais aplicativos na parte de baixo da tela.

Também terá recursos de IA: se você balançar o cursor do mouse, imediatamente aparecerá o Gemini, do Google, se propondo a fazer coisas úteis de acordo com o que estiver na tela. Se você estiver lendo um email no qual um colega de trabalho pede para marcar uma reunião, por exemplo, o Gemini se oferecerá para fazer isso – e agendar a conversa na data e no horário citados na mensagem.

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Obesidade do pai afeta o metabolismo dos filhos

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Obesidade do pai afeta o metabolismo dos filhos

Você é uma mistura dos genes do seu pai e da sua mãe. Mas certos fatores ambientais podem interferir nesse processo. A obesidade paterna, por exemplo, causa alterações que são transmitidas aos filhos: eles desenvolvem intolerância à glicose e resistência à insulina, dois problemas metabólicos ligados à diabetes.

Foi o que revelou um estudo (1) feito em camundongos e humanos por cientistas dinamarqueses e brasileiros. Conversamos com um dos autores, o biólogo Marcelo Mori, da Unicamp, para entender.

No estudo, camundongos obesos tiveram filhotes de peso normal, mas que depois tinham disfunção metabólica. Por quê?
Existem moléculas de RNAs pequenos, chamadas de microRNAs, que são transferidas dos pais para os filhos. E esses microRNAs, em particular um chamado let-7, podem ser transportados pelos espermatozoides.

Quando um espermatozoide fecunda o óvulo, o let-7 acaba causando a inibição de uma enzima muito importante para a função celular, chamada de Dicer. Com isso, as mitocôndrias [usina de energia das células] se tornam disfuncionais. E isso, de alguma forma que a gente ainda não sabe ao certo, acaba levando a um risco maior de doença metabólica na prole.

E como a obesidade pode disparar esse processo? Qual o mecanismo envolvido?
A gente ainda não sabe. Mas existe uma evidência sugestiva de que a fonte desses microRNAs é o tecido adiposo. A hipótese é que o gatilho inicial seja uma alteração no tecido adiposo [gordura corporal], e isso possa levar a alterações nos espermatozoides. Mas isso ainda precisa ser testado.

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O estudo também mostrou que, quando os camundongos perdiam peso antes de se reproduzirem, isso não acontecia. Isso significa que é possível evitar essa transmissão?
Sim. A perda de peso pode atenuar essa transferência epigenética.

O estudo também incluiu uma análise em voluntários humanos. Dá para recomendar a homens que pretendem ter filho que emagreçam antes de fazer isso?
O estudo em humanos foi relativamente pequeno. Ele indicou que o microRNA let-7 também diminui em pessoas que perderam peso. Mas a gente ainda precisa de mais estudos antes de qualquer tipo de recomendação. E estudos em seres humanos são complicados, porque as influências no metabolismo são multifatoriais. A educação alimentar e o padrão de vida têm impacto tanto nos filhos quanto nos pais. E isso torna mais difícil separar os fatores ambientais do que de fato é uma herança molecular.

Fonte 1. “Male obesity causes adipose mitochondrial dysfunction in F1 mouse progeny via a let-7-DICER axis”.

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Via Láctea foi remodelada por uma colisão há bilhões de anos, e agora está a caminho de outra

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Via Láctea foi remodelada por uma colisão há bilhões de anos, e agora está a caminho de outra

Vasily Belokurov é um dos três ganhadores do Prêmio Kavli de Astrofísica de 2026. O prêmio foi concedido por ter descoberto evidências fósseis de fusões galácticas passadas que comprovam como a Via Láctea evoluiu. 

Independentemente da época ou do ponto de vista, desde uma caverna pré-neolítica até um arranha-céu londrino pós-lockdown, a previsibilidade do céu noturno sempre foi um símbolo de permanência e estabilidade tranquilizadora para a Humanidade.

Mas essa aparente calma é enganosa. Nossa galáxia, a Via Láctea, surgiu do caos e da turbulência, e suas constelações estão repletas de migrantes, exilados e sobreviventes. Neste momento, ela começou a se esticar e distorcer novamente, puxada por uma companheira maciça e rumo a uma colisão inevitável.

Como posso ter tanta certeza? Como arqueólogo galáctico, meu trabalho é reconstruir o passado da nossa galáxia e ler os sinais de seu futuro.

Astronomia: entenda o que é o “Paradoxo de Fermi”


Em vez de cavar o solo, uso as leis da dinâmica e da evolução estelar para vasculhar centenas de milhões de estrelas procurando as mais antigas e quimicamente peculiares entre elas, interpretando suas órbitas e reconstituindo os eventos que moldaram a Via Láctea. Entre estes eventos está uma colisão antiga que deixou marcas tão profundas que, bilhões de anos depois, ainda define a galáxia ao nosso redor.

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Quero entender o que rege a vida desses enormes sistemas cósmicos: quais mudanças são inatas – a lenta evolução interna de um disco galáctico – e quais são adquiridas, impostas por colisões e fusões.

Perguntas sobre a origem da matéria escura estão na base de tudo isso. Ela é a substância invisível cuja gravidade mantém as galáxias unidas, mas cuja verdadeira identidade continua sendo um dos maiores enigmas não resolvidos da astrofísica.

A Via Láctea é a única galáxia onde os movimentos estelares podem ser medidos com extraordinário detalhe. Isso permite que nós cosmólogos construamos nosso mapa mais preciso até agora da matéria escura: até onde ela se estende, quão densa ela é ao redor do Sol, qual a sua forma e quão uniforme ou irregular ela pode ser. Se conseguirmos construir esse mapa com detalhes suficientes, poderemos começar a entender não apenas onde a matéria escura está, mas o que ela é.

Francesca Fragkoudi e Mark Lovell, Universidade de Durham.

Uma colisão cataclísmica

Nosso trabalho foi transformado por uma revolução nos levantamentos do céu com dados abertos. Desde 2000, o Sloan Digital Sky Survey (SDSS) mostrou o que é possível quando vastos conjuntos de dados astronômicos são tornados públicos, possibilitando descobertas muito além dos objetivos para os quais o levantamento foi inicialmente criado.

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E, desde 2014, o Gaia, um telescópio espacial europeu, levou essa transformação a outro nível ao mapear as posições e os movimentos de quase 2 bilhões de estrelas, transformando a galáxia em um vasto registro arqueológico. Sem ruínas, sem fragmentos e sem ossos – apenas estrelas que guardam as pistas sobre o passado.

A evidência mais clara de que algo cataclísmico ocorreu há muito tempo em nossa galáxia são os migrantes que observamos: estrelas que não nasceram na Via Láctea.

Enquanto as estrelas nativas da Via Láctea viajam principalmente juntas, circulando o centro galáctico no grande fluxo rotativo do disco, as estrelas migrantes rompem essa ordem. Elas deslizam cruzando as órbitas das estrelas locais, mergulham nas regiões internas da galáxia e, em seguida, voam de volta para sua periferia, repetidamente.

Essas órbitas incomuns andam de mãos dadas com uma química incomum. A maioria das estrelas migrantes é menos rica em elementos mais pesados do que a população nascida localmente na Via Láctea. Sua composição química é um sinal de uma taxa de evolução mais lenta, típica de uma galáxia anã.

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Isso torna as migrantes duplamente valiosas. Elas são tanto fósseis do passado violento da Via Láctea quanto sondas de suas regiões externas, viajando para onde as estrelas locais raramente vão.

Como a Via Láctea foi reestruturada

Uma das ideias centrais da teoria da formação da estrutura cósmica é que as galáxias crescem hierarquicamente. Galáxias menores caem em galáxias maiores e são despedaçadas, deixando suas estrelas para trás como migrantes.

Na Via Láctea, a maior estrutura antiga desse tipo é conhecida como Gaia-Sausage-Enceladus. Trata-se dos restos de uma galáxia há muito desaparecida que colidiu com a nossa entre 8 e 11 bilhões de anos atrás (a “salsicha” do nome da estrutura em inglês é uma referência a um padrão nos movimentos de suas estrelas).

A Via Láctea também não saiu ilesa dessa colisão. O choque a reconfigurou e remodelou.

Algumas dessas mudanças são facilmente visíveis nos dados. Estrelas do antigo disco foram espalhadas para o halo da nossa galáxia, “exiladas” do lugar onde nasceram. Um novo grupo de aglomerados estelares também foi adquirido.

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Ao mesmo tempo, acreditamos que algo ainda mais significativo ocorreu. O encontro alterou a orientação do disco da Via Láctea e seu alinhamento com o halo de matéria escura.

Embora a matéria escura seja muito difusa para dominar nosso Sistema Solar, na parte externa da galáxia ela é a principal massa gravitacional – movendo-se, fluindo e, no modelo padrão, agrupando-se em uma hierarquia de aglomerados.

Ao redor da Via Láctea, essa matéria escura forma um vasto halo, muito maior do que a parte luminosa da nossa galáxia. Costumamos imaginar esse halo como uma nuvem esparsa e redonda, mas o Gaia ajudou a mostrar que essa imagem é simplista demais.

O halo escuro pode ser deformado por um grande encontro. Como um navio que começa a inclinar-se, a Via Láctea começou a inclinar-se – não de repente, não visivelmente, mas ao longo de bilhões de anos.

Uma nova dança galáctica

De forma incomum em comparação com muitas galáxias de massa semelhante, a Via Láctea teve tempo suficiente para se recuperar do choque da “fusão em forma de salsicha”. Nenhum outro cataclismo cósmico parece ter abalado nossa galáxia desde então, permitindo que ela se estabelecesse em uma vida tranquila e sem grandes acontecimentos. Isto é, até agora.

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A Grande Nuvem de Magalhães (LMC, na sigla em inglês), atualmente a companheira mais maciça da nossa galáxia, já está puxando a Via Láctea, perturbando seu halo novamente. Num eco do que aconteceu há cerca de 10 bilhões de anos, a Via Láctea está sendo arrastada para uma dança acelerada com esta galáxia anã vizinha, recuando em resposta à aproximação da LMC.

Esta é uma dança da qual provavelmente apenas uma galáxia sairá intacta. Um novo capítulo de migração, sobrevivência e adaptação começou.

Nada disso estraga a beleza do céu noturno – pelo contrário, a aprofunda. A faixa de luz serena acima de nós não é um símbolo de permanência, mas a lembrança visível de uma longa sobrevivência.

A Via Láctea foi quebrada, reconstruída e agora está sendo perturbada novamente. Suas estrelas lembram o passado; seus movimentos revelam o futuro. O que parece eterno é, na verdade, apenas um momento em uma história muito mais longa.

Vasily Belokurov, Professor of Astronomy, Institute of Astronomy, University of Cambridge

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

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Restos mortais de baleia que encalhou na Alemanha vão virar biodiesel

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Restos mortais de baleia que encalhou na Alemanha vão virar biodiesel

O caso da baleia-jubarte Timmy finalmente chegou ao fim – com um desfecho tão controverso quanto sua própria história.

Em março, com a saúde debilitada, essa baleia encalhou diversas vezes na costa da Alemanha, tornando-se um tópico constante na mídia local e nas redes sociais. Após conseguir desencalhar, ela permaneceu nas águas rasas da região – algo incomum para a espécie. Especialistas apontaram que esse é um sinal de que o animal pode estar próximo da morte.

A baleia, no entanto, havia virado uma espécie de queridinha do público, que fez uma forte pressão social para que ela fosse resgatada (a comunidade científica não apoiou essa decisão). Uma operação privada resgatou Timmy e soltou-a em alto mar, um movimento que foi criticado por especialistas, já que as chances de sobrevivência eram baixas.

Pouco tempo depois, no dia 16 de maio, a baleia apareceu morta nas águas da Dinamarca.

O corpo permaneceu na praia até o início de junho, em decomposição a céu aberto. A baleia foi então cortada em pedaços e retirada por escavadeiras. Alguns ossos foram encaminhados ao Museu de História Natural de Copenhague.

Três pessoas em uma praia arenosa, duas vestindo macacões brancos de proteção e capacetes azuis, observam uma escavadeira laranja da marca Case levantando parte de uma carcaça de baleia escura. O céu está nublado e o mar cinzento ao fundo
picture alliance/Getty Images
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E aí surgiu a questão: o que fazer com o restante do corpo de Timmy? A resposta encontrada foi: transformá-lo em energia.

Os restos serão transportados para a empresa dinamarquesa DAKA Denmark, que transformará os ossos, tendões e a pele do animal em biomassa, enquanto a gordura será convertida em biodiesel. 

O processo de produção da biomassa não tem nada de glamouroso: basicamente, os restos mortais são triturados até se transformarem em uma espécie de farinha, que pode ser utilizada como combustível em processos industriais, como a produção de cimento.

A companhia dinamarquesa é especializada nesse tipo de reaproveitamento. Em geral, a gordura da carcaça pode ser totalmente aproveitada, gerando biodiesel que pode abastecer veículos. 

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Já a água presente nos tecidos do animal é reservada, filtrada e posteriormente devolvida ao mar.

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A saga da baleia Timmy

A longa história começa em 23 de março, quando uma baleia-jubarte foi encontrada encalhada em um banco de areia no norte da Alemanha, longe de seu habitat natural. Resgatar um animal desse porte não é nada simples: a espécie pode pesar mais de 10 toneladas e ultrapassar os 10 metros de comprimento.

Ela apareceu em uma praia chamada Timmendorfer e, por isso, recebeu o apelido de Timmy, já que inicialmente se acreditava que fosse um macho.

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Uma equipe especializada realizou uma longa operação de resgate, que durou vários dias. Pouco tempo depois, porém, Timmy voltou a encalhar em uma praia vizinha. Como carregava um rastreador, os pesquisadores puderam confirmar que se tratava da mesma baleia.

A saúde da baleia já estava bastante comprometida, e os veterinários decidiram dar alguns dias para que ela se recuperasse antes de tentar outra operação de resgate. Felizmente, a baleia conseguiu se libertar sozinha dessa vez.

Mas a saga não se resolveu: Timmy não retomou a rota rumo ao Atlântico, como seria esperado para uma jubarte. Em vez disso, permaneceu no Mar Báltico, onde continuou sendo avistada em águas rasas pela população.

Assim ela permaneceu por semanas, aumentando ainda mais a comoção pública. De um lado, veterinários defendiam que o melhor seria permitir que o animal morresse em paz, já que suas chances de sobrevivência eram baixíssimas. Do outro, parte da população se revoltava com a ideia de não tentar um novo resgate.

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Foi então organizada uma segunda operação, financiada por dois empresários alemães milionários, sem envolvimento do governo. A iniciativa recebeu fortes críticas de especialistas, mas seguiu adiante. Timmy foi capturada no Báltico e transportada para águas abertas do Mar do Norte.

A viagem durou vários dias, percorreu centenas de quilômetros e terminou com a soltura da baleia no dia 2 de maio. O custo da operação ultrapassou € 1 milhão.

Muitos pesquisadores argumentaram que, diante do estado de saúde já bastante deteriorado do animal, a operação se aproximava mais da crueldade do que de uma tentativa realista de salvamento. Alguns integrantes da própria equipe fizeram comentários negativos sobre o processo. Uma veterinária afirmou que Timmy não tinha espaço suficiente na embarcação de transporte e se debatia constantemente.

Imagens da soltura nunca foram divulgadas. Além disso, o rastreador apresentava falhas e fornecia poucas informações sobre o paradeiro e o estado de saúde do animal. O relatório completo da missão também não foi tornado público.

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Poucos dias depois, Timmy foi encontrado morto próximo à ilha dinamarquesa de Anholt. Muitos cientistas já haviam alertado que a baleia provavelmente não sobreviveria por muito tempo após a operação.

O corpo passou por análises para determinar quais problemas de saúde Timmy enfrentava. Os exames revelaram uma surpresa: Timmy era, na verdade, uma fêmea. Já a causa da morte continua indefinida, pois o corpo foi encontrado em estágio avançado de decomposição.

Os pesquisadores identificaram redes de pesca em seu sistema digestivo, o que pode ter contribuído para seu estado de saúde.

Agora, os dados registrados pelo rastreador seguem em análise, na tentativa de esclarecer os últimos dias da baleia e entender melhor o que levou ao fim da pobre Timmy.

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Permanência de Policarpo na SPU gera questionamentos entre pré-candidatos do DF

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Permanência de Policarpo na SPU gera questionamentos entre pré-candidatos do DF

A permanência de Roberto Policarpo (PT) no comando da Superintendência do Patrimônio da União no Distrito Federal (SPU-DF) tem provocado questionamentos nos bastidores da política local.

Pré-candidato nas eleições deste ano, Policarpo vem participando de agendas públicas relacionadas à entrega de títulos de regularização fundiária e de atividades políticas, incluindo inaugurações de comitês e encontros com apoiadores.

O debate gira em torno dos prazos de desincompatibilização previstos na legislação eleitoral. A maioria dos ocupantes de cargos comissionados que pretendem disputar as eleições deixou suas funções até seis meses antes do pleito. Já servidores públicos efetivos candidatos também observaram os prazos legais para afastamento.

Policarpo em plena pré-campanha mesmo estando no cargo

No caso de Policarpo, aliados argumentam que ele possui situação funcional distinta por ser servidor do Poder Judiciário cedido à União, sustentando que a legislação lhe permitiria permanecer no cargo até momento diverso dos demais pré-candidatos.

Críticos da situação, contudo, afirmam que, ao permanecer à frente de um cargo estratégico da administração federal, o superintendente mantém visibilidade institucional e contato frequente com lideranças e beneficiários de programas públicos, o que poderia gerar desequilíbrio em relação aos demais concorrentes que já se afastaram de suas funções.

A controvérsia deve alimentar o debate jurídico e político nos próximos meses, especialmente sobre a interpretação das regras de desincompatibilização aplicáveis a servidores cedidos que ocupam cargos de direção na administração pública federal.

Na foto cima, Policarpo na solenidade de entrega do Shopping Popular ao GDF, dia 2 de junho.

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35ª Corrida do Fogo celebra 170 anos do CBMDF em Brasília

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35ª Corrida do Fogo celebra 170 anos do CBMDF em Brasília

Com 8 mil inscritos, edição histórica ocupou a Esplanada dos Ministérios, bateu recorde de participação e estreou categoria para transplantados

Cerca de 15 mil pessoas acompanharam, no último domingo, 14 de junho, a 35ª Corrida do Fogo, realizada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A edição reuniu mais de 8 mil corredores, além de familiares e admiradores do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), em uma celebração ao esporte, à saúde e aos 170 anos da corporação.

Com percursos de 5 km e 10 km, a prova teve todas as inscrições esgotadas com mais de 60 dias de antecedência, estabelecendo um novo recorde. A arena recebeu atletas civis, bombeiros militares da ativa e veteranos, pessoas com deficiência, corredores com 60 anos ou mais e transplantados.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e o deputado distrital e bombeiro militar veterano Roosevelt Vilela participaram do percurso de 5 km.

“Correr com os bombeiros tem um gosto muito especial. Isso nos aproxima e demonstra o respeito do Governo do Distrito Federal por uma instituição que tanto orgulha a população”, afirmou Celina Leão.

Roosevelt Vilela lembrou que sua ligação com a prova começou nas primeiras edições, quando colaborava com a organização. Neste ano, também contribuiu para o evento por meio de emenda parlamentar. “A corrida tem tudo a ver com o Corpo de Bombeiros. Nossa atividade exige preparo físico e promove saúde não apenas entre os militares, mas em toda a comunidade”, destacou.

O comandante-geral do CBMDF, coronel Moisés Alves Barcelos, ressaltou o simbolismo da edição. “Celebramos os 170 anos do Corpo de Bombeiros e os 35 anos da corrida, incentivando o esporte, a saúde e a integração com a sociedade. Para 2027, nossa meta é chegar a 10 mil participantes”, anunciou.

À frente da organização, o comandante do Centro de Capacitação Física do CBMDF, tenente-coronel Fernando Dias de Moura, destacou a satisfação com o resultado. “Batemos o recorde de inscritos e esgotamos as 8 mil vagas com mais de 60 dias de antecedência. Ver a arena cheia, os corredores participando e o público feliz é muito gratificante”, afirmou. Segundo ele, as primeiras novidades da próxima edição devem ser divulgadas nas próximas semanas.

Destaques nos pódios

Além dos troféus, os três primeiros colocados, nos gêneros feminino e masculino, das categorias Público Geral, Bombeiro Militar e Bombeiro Militar Veterano receberam premiação em dinheiro nos percursos de 5 km e 10 km. Os campeões ganharam R$ 1 mil; os segundos colocados, R$ 700; e os terceiros, R$ 500.

Nos 5 km do Público Geral, o pódio feminino foi formado por Thalyta Fraga Soares, Maria Gabriela Jesus de Souza e Luiza Giovenardi Goretti. No masculino, os três primeiros foram Daniel dos Santos, Samuel Gomes Vieira da Silva e Roque Lane de Almeida Lara. Entre os bombeiros militares da ativa, venceram Silvia de Araujo Jacomo, Paula Cristina de Deus Dini e Mariana da Costa Alves, no feminino, e Fellipe Antonio Eloi Miranda, Cezar Souza Barbosa e Romualdo Lima de Medeiros, no masculino.

Inclusão com nova categoria

A edição de 2026 ampliou o compromisso da Corrida do Fogo com a inclusão ao estrear a categoria Transplantados, nos 5 km, para homens e mulheres. A novidade se soma às categorias destinadas a pessoas com deficiência e atletas com 60 anos ou mais, ampliando a representatividade na prova.

“Foi muito especial. É a primeira corrida em Brasília que abre uma categoria para transplantados. Iniciativas assim incentivam quem passou por um transplante a se manter ativo. Eu não corro para competir, corro para participar, e isso já tem uma importância enorme”, relatou a corredora Andreia Mesquita.

Realizada pelo CBMDF, em parceria com o CECAF, o Clube dos Bombeiros de Brasília a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal, a Corrida do Fogo de 2026 contou com o importante apoio de empresas e instituições locais: Alpha Co, Vitafor, Proasa Saúde, Lotus, Rede D’Or, Correio Braziliense e Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas (SBH), representada pela Domed, Hospital Anchieta e Hospital Daher Lago Sul, Riacho Tintas e Coral Tintas.

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Condenado por improbidade administrativa pela 6ª vez, Arruda se distancia do Buriti

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Condenado por improbidade administrativa pela 6ª vez, Arruda se distancia do Buriti

O político mais corrupto da história do Distrito Federal estava todo eufórico em vídeo ao anunciar que “nada haviam encontrado contra ele”. Mas a justiça encontrou e o condenou mais uma vez no âmbito da Operação Caixa de Pandora.

No último dia 3 de junho, a 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e mais quatro por improbidade administrativa.

Os desembargadores acolheram recurso do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e determinaram o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais para cada um dos réus. Eles já tinham sido condenados à reparação do dano, no valor de R$ 257 mil. Arruda foi condenado, neste caso, à perda dos direitos políticos por 12 anos. Trata-se da sexta condenação de Arruda em Segunda Instância.

O valor que Arruda deve ao erário é de aproximadamente R$ 600 milhões!  Ainda cabe recurso, mas o estado político é visível.

 

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Primeiro dia do Candangão Junino 2026 reúne grande público e celebra a cultura popular em Samambaia

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Primeiro dia do Candangão Junino 2026 reúne grande público e celebra a cultura popular em Samambaia

Festa segue neste sábado (13) e domingo (14) com novas apresentações. O público também poderá acompanhar o jogo do Brasil em telão especial montado na arena do evento.

O primeiro dia da 1ª Classificatória do Candangão Junino 2026 foi marcado por muita animação, apresentações emocionantes e a presença de um grande público no estacionamento da Castelo Forte, em Samambaia. Famílias, admiradores da cultura junina e moradores de diversas regiões do Distrito Federal prestigiaram a abertura do maior circuito junino do Centro-Oeste.

Na primeira noite, sete grupos juninos se apresentaram na arena do evento, levando ao público espetáculos repletos de cores, emoção e valorização da cultura popular. Entre os destaques esteve a quadrilha Flor do Mamulengo, de Samambaia, que representou a cidade com um espetáculo que arrancou aplausos da plateia.

A programação reuniu algumas das principais quadrilhas juninas do Distrito Federal e Entorno, que encantaram o público com figurinos coloridos, coreografias elaboradas e apresentações que exaltam as tradições populares brasileiras.

Entre os visitantes estava a dona de casa Maria Aparecida Suzano, de 45 anos, moradora de Samambaia há cerca de 30 anos. Natural do Maranhão, ela destacou a emoção de participar de um evento que mantém vivas as tradições nordestinas no Distrito Federal.

“Para nós que viemos do Nordeste, a festa junina tem um significado muito especial. Ver essas quadrilhas, as músicas, as cores e as famílias reunidas traz muitas lembranças da nossa terra. Moro em Samambaia há 30 anos e fico muito feliz em ver a cidade recebendo um evento tão bonito, que valoriza nossa cultura e proporciona momentos de alegria para todas as gerações”, afirmou.

Para o presidente da Federação de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno (FEQUAJUDFE), Robson Vilela, conhecido como Fusca, a grande participação popular demonstra a força do movimento junino na capital.

“Ficamos muito felizes em ver a arena cheia, com famílias inteiras prestigiando as quadrilhas e celebrando a nossa cultura. O Candangão Junino é resultado do trabalho de centenas de pessoas que dedicam o ano inteiro para manter viva essa tradição. Foi uma abertura emocionante e ainda temos muitas apresentações pela frente. Neste sábado, vamos unir duas grandes paixões do brasileiro: o futebol e a cultura junina. Teremos um telão para que todos possam acompanhar o jogo da Seleção Brasileira e, logo depois, continuar a festa com as apresentações das quadrilhas”, destacou.

A festa continua neste sábado e domingo, com novas apresentações, disputas classificatórias e uma programação preparada para receber o público de todas as idades. A expectativa é de que milhares de pessoas passem pelo evento até o encerramento da primeira etapa do circuito.

Promovido pela Federação de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno (FEQUAJUDFE), o circuito integra o Termo de Fomento nº 992770/2026, firmado com o Ministério da Cultura, e tem como objetivo fortalecer, preservar e difundir as tradições juninas da região. O evento também conta com o apoio da Administração Regional de Samambaia.

*Serviço*

Candangão Junino 2026 – 1ª Classificatória

📍 Local: Estacionamento da Castelo Forte – Samambaia/DF

🎟 Entrada gratuita

🇧🇷⚽ Sábado com transmissão do jogo da Seleção Brasileira em telão, seguida das apresentações das quadrilhas juninas.

*Programação*

Sábado

🕘 21h00 – Bambolear

🕘 21h45 – Vira e Mexe

🕙 22h30 – Oxente Vixe

🕚 23h15 – Raiz de Mandacaru

Domingo

🕕 18h00 – Triscou Queimou

🕕 18h45 – Pula Fogueira

🕢 19h30 – Sabugo de Milho

🕗 20h15 – Segue o Fogo

🕘 21h00 – Sanfona Lascada

🕘 21h45 – Elite do Cerrado

🕙 22h30 – Êta Lasquêra

🕚 23h15 – Aquarela Nordestina

🕛 00h00 – Arcanjos do Cerrado

🕧 00h45 – Si Bobiá a Gente Pimba

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Detran-DF reforça operações durante a Copa do Mundo

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Detran-DF reforça operações durante a Copa do Mundo
Ações de fiscalização e educação de trânsito serão intensificadas nos dias de jogos da seleção brasileira
Jaqueline Costa
 
No próximo sábado (13), o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) dará início às ações da Operação Copa Segura. O objetivo é coibir infrações, como a condução de veículos após o consumo de bebida alcoólica, e prevenir a ocorrência de sinistros de trânsito. Além disso, nos dias dos jogos da seleção brasileira, haverá reforço nas ações de controle de tráfego, visando melhorar a fluidez viária.
O diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Danilo Lino, destaca que serão realizadas 450 ações de fiscalização, entre patrulhamentos, pontos de demonstração e blitz em locais estratégicos.
“Nossa missão é preservar vidas. Para isso, estaremos presentes nas vias do Distrito Federal, atuando de forma preventiva e fiscalizatória para inibir condutas que possam resultar em infrações e, consequentemente, em sinistros de trânsito. É importante a colaboração de todos os cidadãos para que seja mantida a segurança e a convivência harmoniosa entre todos os usuários das vias públicas”, ressalta Lino.
Durante o período da Copa do Mundo, o Detran-DF também intensificará as atividades de conscientização em eventos, bares e blitz educativas. O objetivo é promover a campanha Torcida Segura, conscientizando condutores, pedestres e ciclistas sobre a importância do respeito às normas de trânsito e da adoção de comportamentos seguros nas vias.
Imagens: Flávio Almeida/Detran-DF

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GDF encaminha à CLDF projeto sobre acolhimento humanizado e internação involuntária

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GDF encaminha à CLDF projeto sobre acolhimento humanizado e internação involuntária

O Governo do Distrito Federal encaminhou à Câmara Legislativa do DF um projeto de lei que institui a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral às Pessoas em Situação de Rua.

A proposta prevê ações integradas de assistência social, saúde e qualificação profissional, com foco na proteção, recuperação da autonomia e reinserção social dessa população.

O texto também regulamenta a internação involuntária em situações excepcionais, quando houver risco à vida da própria pessoa ou de terceiros, mediante critérios técnicos e avaliação médica.

Segundo o GDF, a medida busca ampliar a rede de acolhimento, garantir atendimento humanizado e oferecer novas oportunidades para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam reconstruir seus projetos de vida.

O projeto segue agora para análise e votação na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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Leis de Robério Negreiros sobre saúde feminina e geração de empregos passam a valer integralmente

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Leis de Robério Negreiros sobre saúde feminina e geração de empregos passam a valer integralmente

Dispositivos têm como foco acesso a fisioterapia por mulheres mastectomizadas e contratação de mão de obra do programa RenovaDF em contratos administrativos do GDF

A derrubada dos vetos do então governador Ibaneis Rocha, aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 29 de abril, restabeleceu o texto integral de duas leis de autoria do deputado distrital Robério Negreiros (Podemos). Promulgadas após a derrubada dos vetos, as normas, que tratam de saúde da mulher e geração de empregos, voltam a integrar o ordenamento jurídico do DF em sua forma completa, conforme aprovado pelos deputados distritais.

As conquistas reforçam duas das principais bandeiras do mandato de Robério Negreiros: o cuidado com o público feminino e a criação de oportunidades reais de trabalho para a população do DF.

Fisioterapia para mulheres mastectomizadas

A Lei 7.489/2024, oriunda do Projeto de Lei nº 1.949/2021, garante a mulheres que passaram pelo processo de mastectomia – como é chamada a retirada da mama de forma cirúrgica – a realização de fisioterapia de reabilitação nas unidades da rede pública de saúde do DF. O objetivo da lei, que já está em vigor, é buscar a prevenção e redução de sequelas decorrentes do processo cirúrgico. O então governador havia vetado o artigo 3º da lei, que trazia a possibilidade de o GDF celebrar parcerias ou convênios com o objetivo de ampliar a rede de atendimento fisioterápico para as mulheres mastectomizadas. Com a derrubada do veto, o artigo volta a fazer parte da lei.

Segundo Negreiros, a mastectomia é um dos procedimentos mais comuns como parte do tratamento do câncer de mama. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), apontam que na última década mais de 110 mil mulheres foram submetidas à retirada da mama pelo SUS no Brasil como parte do tratamento do câncer de mama. “Tão importante quanto a cirurgia, a intervenção fisioterapêutica na pós-mastectomia é essencial para a prevenção e redução de sequelas que podem ser decorrentes do processo cirúrgico, devendo ser ministrada o mais precocemente possível”, explica Negreiros.

Geração de empregos

A outra lei cujo veto parcial foi derrubado é a Lei 7.728/2025, oriunda do projeto de lei 556/2023. A lei trata da obrigatoriedade de contratação de mão de obra proveniente do programa RenovaDF em contratos administrativos de execução de obras do GDF. O projeto é uma parceria do GDF com o SENAI para oferecer cursos gratuitos de qualificação profissional na área de construção civil. Ibaneis havia vetado o artigo 5º da lei, que estabelecia prazo de 30 dias para entrada em vigor. Com a derrubada do veto, a lei pôde começar a valer integralmente de acordo com o prazo estipulado na redação final.

De acordo com Negreiros, muitos desempregados do Distrito Federal recorrem aos próprios órgãos da Administração na busca de inserção no mercado de trabalho. “Por isso, temos que prestigiar, até como um incentivo de aprimoramento pessoal, a contratação dos que buscam uma nova oportunidade”, defende o distrital. Ele acrescenta, ainda, que o aproveitamento dessa mão de obra cria um novo espaço para aprimorar o mercado de trabalho na área da construção, o que “fortalece ainda mais seu papel estratégico na geração de emprego e renda em nossa cidade”.

O RenovaDF oferece cursos de iniciação profissional aplicados pelo Senai-DF, com duração de 240 horas (três meses), com quatro horas diárias. As aulas abordam noções básicas de construção civil e, durante o curso, os alunos têm a oportunidade de recuperar espaços públicos como praças, parquinhos, quadras poliesportivas, campos sintéticos de futebol e vilas olímpicas. Além da entrega dos certificados, a formatura marca, também, o dia em que os alunos recebem a bolsa-auxílio no valor de um salário mínimo pela participação no curso.

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Quer decidir onde o dinheiro público será investido? GDF abre consulta para o Orçamento de 2027

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Quer decidir onde o dinheiro público será investido? GDF abre consulta para o Orçamento de 2027

Os moradores do Distrito Federal terão a oportunidade de participar da definição das prioridades do orçamento público para 2027. A Secretaria de Economia realiza, nesta terça-feira (16), uma audiência pública para discutir a proposta da Lei Orçamentária Anual (PLOA), etapa que antecede o envio do projeto à Câmara Legislativa e abre espaço para que a população apresente sugestões sobre a destinação dos recursos do governo.

O encontro está marcado para as 15h e será transmitido ao vivo pelo canal da Secretaria de Economia no YouTube Além da participação durante a audiência, os cidadãos poderão encaminhar contribuições até o dia 30 de junho pelos canais daOuvidoria do GDF, incluindo o Portal Participa DF, o telefone 162 e os postos de atendimento presenciais.

A proposta orçamentária em elaboração trabalha, neste momento, com uma previsão de R$ 74,97 bilhões para 2027. Desse total, R$ 45,45 bilhões correspondem à arrecadação própria do Distrito Federal, enquanto R$ 29,52 bilhões deverão ser provenientes do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), responsável por financiar parte das despesas de segurança pública, saúde e educação.

Pelas estimativas atuais, a maior parcela dos recursos do Fundo Constitucional continuará destinada à segurança pública, com previsão de R$ 15,46 bilhões. A saúde aparece na sequência, com R$ 8,52 bilhões, enquanto a educação deverá contar com R$ 5,53 bilhões. Esses valores, no entanto, ainda poderão ser ajustados durante a elaboração final do projeto.

A audiência pública faz parte do processo de construção do orçamento anual e tem como objetivo ampliar a participação da sociedade nas decisões sobre o uso do dinheiro público. Durante o encontro, técnicos da Secretaria de Economia apresentarão os principais números da proposta e explicarão como ocorre a distribuição dos recursos entre as diferentes áreas da administração pública.

As manifestações enviadas pela população poderão abordar prioridades em setores como saúde, educação, infraestrutura, mobilidade, assistência social e segurança. Embora as contribuições não tenham caráter vinculante, elas servem de subsídio para a elaboração da proposta que será encaminhada pelo Executivo à Câmara Legislativa até 15 de setembro, conforme determina a Lei Orgânica do Distrito Federal.

A expectativa do governo é que o processo fortaleça a transparência na elaboração do orçamento e amplie o diálogo com a sociedade antes da definição das despesas e investimentos previstos para 2027.

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GDF amplia acesso ao Implanon e recebe promessa de mais 12 mil implantes para reforçar planejamento reprodutivo

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GDF amplia acesso ao Implanon e recebe promessa de mais 12 mil implantes para reforçar planejamento reprodutivo

Mulheres da Cidade Estrutural tiveram acesso, neste sábado (13), a uma força-tarefa de serviços de saúde voltada ao planejamento reprodutivo e à prevenção de doenças. A ação, realizada no estacionamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 da região, concentrou atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e teve como principal destaque a oferta gratuita do Implanon, método contraceptivo de longa duração considerado um dos mais eficazes para evitar gravidez não planejada.

O mutirão, promovido pelo Governo do Distrito Federal em parceria com o Ministério da Saúde, atende mulheres entre 14 e 49 anos e faz parte da estratégia de ampliar o acesso aos chamados contraceptivos reversíveis de longa duração, conhecidos pela sigla LARC.

Durante a visita ao evento, a governadora Celina Leão afirmou que a procura pelo implante tem superado as expectativas desde sua incorporação à rede pública de saúde do Distrito Federal. Segundo ela, o Ministério da Saúde anunciou o envio de mais 12 mil unidades para reforçar os estoques da capital.

A ampliação representa um novo impulso para o programa. Somente entre janeiro e maio deste ano, cerca de 6,6 mil mulheres receberam o implante subdérmico na rede pública. Desde o início de 2026, quando o método passou a ser ofertado pelo SUS no Distrito Federal, aproximadamente 15,5 mil unidades foram disponibilizadas pelo governo federal.

Inserido sob a pele da parte interna do braço, com um procedimento simples realizado sob anestesia local por profissionais capacitados, o Implanon oferece proteção contraceptiva por longo período sem exigir o uso diário de medicamentos. A característica o diferencia de métodos como pílulas e anticoncepcionais injetáveis, reduzindo as chances de falhas decorrentes do esquecimento e ampliando sua eficácia.

Além da oferta do implante, a programação reuniu orientações em saúde, acolhimento e atendimento preventivo à população. O objetivo foi aproximar os serviços públicos de comunidades com maior vulnerabilidade social e ampliar o acesso à informação sobre planejamento familiar.

Nas unidades básicas de saúde do Distrito Federal, a população em idade fértil também pode acessar gratuitamente outros métodos contraceptivos, como preservativos, anticoncepcionais orais e injetáveis, além do dispositivo intrauterino (DIU) e dos procedimentos de esterilização permanente previstos pelo Sistema Único de Saúde.

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Tradição de 50 anos: Bombeiros do DF formam nova turma de mergulhadores de resgate

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Tradição de 50 anos: Bombeiros do DF formam nova turma de mergulhadores de resgate

Apenas 10 dos 23 militares que iniciaram o 31º Curso de Mergulho Autônomo de Resgate do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) conseguiram concluir todas as etapas da formação. A cerimônia de formatura foi realizada nesta sexta-feira (12), no Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), em um momento que também marcou os 50 anos da atividade de mergulho de resgate na corporação.

A alta taxa de desistência evidencia o grau de dificuldade do curso, considerado um dos mais rigorosos do CBMDF. Durante pouco mais de dois meses de treinamento, os participantes enfrentaram uma rotina intensa de atividades físicas, técnicas e operacionais voltadas para o atendimento de ocorrências em ambientes aquáticos de alta complexidade.

A preparação incluiu exercícios de busca e resgate subaquático, recuperação de vítimas, reflutuação de estruturas, navegação embaixo d’água e mergulhos noturnos. Parte dos treinamentos foi realizada em condições de baixa ou nenhuma visibilidade, cenário em que os militares precisam se orientar praticamente apenas pelo tato.

A edição deste ano recebeu o nome de “Turma CMAut 50 Anos” em referência ao cinquentenário da atividade de mergulho de resgate no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Em cinco décadas, apenas 248 militares concluíram essa especialização e passaram a integrar a equipe responsável por missões consideradas entre as mais desafiadoras da corporação.

Os mergulhadores de resgate atuam em ocorrências como afogamentos, buscas por pessoas desaparecidas, recuperação de corpos e objetos submersos, inspeções técnicas e operações especiais em rios, lagos e represas. Muitas dessas ações exigem atuação em águas turvas, durante a noite ou em locais com condições extremas, onde a experiência e o preparo técnico fazem a diferença.

Além das ocorrências atendidas no Distrito Federal, o grupo também é frequentemente acionado para reforçar operações em outras unidades da Federação. Nos últimos anos, os especialistas participaram de missões de grande repercussão nacional, entre elas as buscas após o desabamento da ponte entre Maranhão e Tocantins, além de operações realizadas em Goiás, Minas Gerais e outros estados.

Com a formação da nova turma, o CBMDF amplia seu efetivo de especialistas em salvamento aquático e reforça a capacidade de resposta para ocorrências que exigem alto nível de preparo técnico, mantendo uma tradição construída ao longo de meio século de atuação em cenários de elevado risco.

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